VOLTANDO AO COMEÇO - Emily Whiter

1245 Words
O plano que Sofie elaborou era completamente estratégico. Ricardo e Eduardo conheceriam as meninas, elas mesmo, sem máscaras ou disfarces. E por mais estranho e conveniente que seja, está noite haveria uma festa à fantasia. Elas marcariam de ir com eles e minutos antes, dariam um bolo. Nos dois gostosões. Sofie e Becca desligam o telefone e vêm em minha direção, ambas com os seus respectivos trajes de "guerra". Cada cor caía perfeitamente em nós, como uma segunda pele. Acabo de passar o batom vermelho e elas sorriem. Nós iremos para festa, mascaradas. Não máscaras comuns, as nossas máscaras. Sim, eu vou. E sei perfeitamente que o Samuel pode me reconhecer, a mulher que invadiu a casa dele e não levou nada. Passei mais ou menos uma hora para decidir se eu realmente topava com toda essa loucura ou não. Estava parecendo uma barata com labirintite, não sabia para que lado ir, oque fazer... Só que queria sentir aquilo de novo, aquela sensação de poder. Ver ele com os olhos fechados e completamente entregue ao momento. E agora estou aqui, no pátio principal do resort , a decoração colorida e moderna, a música estronda as paredes e a quantidade de minibares e garçons que tem são incontáveis. Chegamos cedo para que eles não pudessem nos ver, mas que nós pudéssemos ver eles. O combinado era que ás 23h:00pm nós iríamos dar a volta e entrar novamente. Porém dessa vez, seria de forma dramática e forte. Numa coreografia perfeita, como estamos acostumadas. Essa festa é o nosso palco e eles... Ah, eles eram o nosso alvo principal. **** 22:49pm. Não tenho paciência. As meninas tiveram que me segurar quando eu vi o cafajeste, filho de um p**a, que chamo de chefe, se agarrando com uma modelete qualquer. Que droga, ele bem que poderia ser como o Eduardo né? Que está até meio louquinho hoje. Ele e o Ricardo já dançaram umas trocentas músicas e em uma, o escolhido da minha querida Sofie, saiu da pose de vampiro m*****o e fez um Strip-tease. Ficou sem camisa e tudo, confesso, ele é lindo. Porém.. não mais que o Sam... Que, aliás, está vestido de Zorro. Com direito a espada, máscara, chapéu e no lugar das luvas, braceletes. Papai do céu, só o senhor sabe o quanto eu queria que a espada dele rasgasse e marcasse uns cantos meus... Ele conseguiu ficar ainda mais delicioso, não é a toa que essas modelos estão praticamente abrindo as pernas e se servindo para ele como aperitivo. Licença, vadias. Eu sou o prato principal. — Que horas são? — Sei que é a enésima que pergunto porque as caretas que recebo de Sofie e Rebeca não são nenhum pouco agradáveis. Estou ansiosa, um frio na barriga que eu só sinto quando ele está perto. Aqueles olhos azuis me desestabilizam por completo... — Olha, Emmy. Eu sei que você já deve ter rezado umas mil Ave Marias ai para aguentar esse p****e se agarrando com as outras... — Começa Sofie, ela falava e mantinha os olhos onde Eduardo e Ricardo estavam, eles brincavam de virar shots. Samuel só observava com o copo de whisky na mão, no meio dos três, ele era o mais sóbrio. - Mas, é melhor nós esperarmos a hor... — Esperar o c*****o! Se mais um projeto de Angel passar pelo Ricardo e pedir uma mordida, vou cometer um homicídio e você terá que me defender no tribunal! — Becca interrompe, já ficando em pé. Ela tirou as palavras da minha boca, um minuto a mais sentada ali e eu surtaria. Sof revira os olhos e está pronta para contra argumentar quando uma garota vestida de diabinha passa e alisa o chicote do Eduardo. Ele estava vestido de cowboy, os três dariam um bom grupo de animadores daqueles chás de cozinha, bebê e fralda. Ela se endireita e levanta, colocando a máscara cor de rosa. Eu e Sofie a seguimos. Colocar essa máscara n***a novamente me traz uma sensação estranha... É como voltar para casa depois de muito tempo fora. Sorrio e me escondo atrás das meninas. A cada passo que elas davam, meu coração acelerava. Sabia que na hora que elas abrissem espaço eu teria que entrar no meio e aparecer. Separaríamos eles e a partir daí, oque cada uma faria é por conta própria. Só sei que eu realmente não gostaria de ser o Ricardo... O sorriso nos lábios da Rebeca não mostra boas intenções. Eu sei exatamente oque fazer. Maquinei cada detalhe... Olhei para frente e as duas deram passos contrários, numa sincronia invejável, abrindo espaço para mim. Cada uma olhava para o seu alvo, levantei a cabeça devagar, encontrando aquelas duas safiras que ele chamava de olhos e mordi o canto dos lábios. Sentia ele analisando cada detalhe, o olhar inquisitivo observando meus passos. Já estávamos próximas o bastante. Ricardo e Eduardo estavam em uma posição cômica. Sofie e Rebeca sorriram e eles se desequilibraram. Ri da cena e voltei meu olhar para ele, Samuel me fitava de forma intensa. Parei em sua frente e retribuí a intensidade de seu olhar. Assim, sem a fantasia de secretária atrapalhada era diferente. Cara a cara e vendo a luxúria em seus olhos. Olhei o rélogio. 23:00pm. Em 3... 2... A música do dia do "assalto", Closer do Ne-Yo, começou a soar nos amplificadores e ele ergueu uma sobrancelha para mim. Virou-se para trás, para ver os amigos, que obviamente não estavam mais lá... Tenho que distraí-lo, tenho que distraí-lo... — Lembra de mim? — A minha voz soa baixa e rouca. Tinha esquecido do quão legal era usar essa voz! Sorri sem exibir todos os dentes, só um simples entortar de lábios. Ele se virou e parou por um momento, se aproximando o máximo, ele puxou o ar e fechou os olhos, parecia apreciar o meu perfume. Mais um pequeno passo e nossos lábios estariam praticamente colados... Ele sorriu, respirando fundo e soltando o ar em meu rosto. O cheiro de menta e álcool estavam balanceados; A letra da música coincidiu com o momento e eu tive vontade de sorrir. E eu apenas não posso me afastar Estou sob um feitiço não posso romper Eu simplesmente não posso parar — Acho que você me deve uma dança e tímpanos novos... — Seguro a risada que iria escapar, ele se afasta e abana a mão com desprezo. — Mas, por enquanto, aceito só a dança. — Sinto sua mão em minha cintura, ele me conduz até o centro da pista e cola minha b***a em seu quadril, meu cabelo é posto para o lado e minha nuca exposta é presa fácil para os seus dentes, ele deposita beijos seguidos e morde o lóbulo da orelha. Estamos tão colados que nenhum feixe de ar passaria entre nós. Me arrepio e fecho os olhos com força, isso é bem melhor do que eu imaginava.... — Faça a sua mágica... — Ele sussurra. — Ladra. — Senti o sorriso quando ele mencionou o adjetivo e lambi os lábios. Esfreguei levemente o meu quadril no seu e senti ele prender a respiração. Ri baixo, tentando manter a voz baixa e rouca... — Seu pedido é uma ordem, querido.— sussurro de volta. É Sam, você está ferrado. Porque dessa vez, eu não vou conseguir parar.
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