O resgate de Isa não terminou quando ela atravessou os portões da alcatéia. Aquela ideia romântica de que a dor ficaria para trás no instante em que estivesse segura jamais existiu de verdade. A segurança física era apenas a primeira camada. O que veio depois foi mais silencioso, mais profundo e muito mais difícil de enfrentar. Isa voltou diferente. Não era algo fácil de explicar, mas Clara percebeu antes de qualquer outra pessoa. Não pela magia, nem pelo vínculo de sangue, mas pelo olhar. A filha que retornara trazia nos olhos uma maturidade forçada, um peso que não deveria existir em alguém tão jovem. Isa sorria, falava, caminhava pela alcatéia, mas havia momentos em que seu corpo estava ali e sua mente parecia presa em algum lugar escuro, distante, impossível de alcançar. As noites e

