Abro a porta do meu apartamento, indicando para o pirralho que ele pode entrar.
O caminho para casa foi mais tranquilo do que eu esperava, claro, chegamos encharcados já que a habilidade de corrida dele na chuva não é a das melhores, mas agradeço mentalmente por ter chegado viva.
Já está tarde e ele aparenta estar exausto então não me demoro muito, lhe entrego uma toalha e o mando para o banho enquanto procuro alguma roupa que caiba minimamente nele.
–Não vou vestir isso.– ele fala decidido depois de ter saído do banho.
Acontece que a única roupa de criança que tinha no meu guarda roupa era um vestido que pertenceu a minha prima quando ela era menor.
–Oras, porque? É uma roupa absolutamente aceitável e bate abaixo do seu joelho.– Tento convencê-lo a vestir, mas ele pigarreia e sacode a cabeça.
–Isso é roupa de menina! Não vou! Não quero! Não, não não!
Suspiro irritada, eu estou morrendo de frio e com uma leve sensação de morte já que não como já tem mais que 5h, mas não estou reclamando, ele pode sim fazer um pequeno sacrifício e facilitar as coisas para mim.
–Para sua informação, os garotos usavam vestidos no século XIX, mas já que você prefere usar as roupas molhadas acho que um resfriado ou uma gripe cairiam bem.
Ele bufa, sabe que eu tenho razão.
–Vou tomar banho agora, vista a roupa molhada se quiser, depois que eu sair te dou algo para comer.
Tomei banho rápido, o pirralho demorou no dele e a conta de água já é alta o suficiente. Ah! a conta de água, tenho que pagar até o fim da semana.
Quando termino de me vestir ele está sentado no sofá da sala, assistindo um documentário sobre ursos na televisão.
Preparo um sanduíche para cada, mas ele acaba comendo os dois, mesmo morrendo de fome dou um desconto já que não sei a quanto tempo ele comeu. Preparo outro sanduíche para mim e como assistindo tv com ele. Até que ele não é tão ruim quando está quietinho.
O resto da noite passou rápido, eu cedi minha confortável cama pro pirralho e dormi no sofá, acabei puxando o colchão do quarto e coloquei na sala para ficar de olho nele e tranquei a porta dos outros cômodos para evitar que ele perambulasse caso acordasse, tudo perfeitamente planejado para não ter erros, pelo menos era isso que eu achava.
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Acordo assustada com batidas fortes na porta, o pirralho está sentado no colchão olhando para mim com os olhos arregalados e uma expressão de medo.
–Polícia Militar!
Não tenho tempo de tomar nem uma atitude. Em um baque, a porta de madeira é derrubada e vários homens armados até os dentes invadem meu apartamento.
"Droga, essa porta custou 165 reais!"