Capítulo 6: A queda

1081 Words
As lesões e agora Mirage, eu estava me quebrando por dentro e agora por fora. Bem quando meus joelhos cederam, uma mão firme segurou meu braço. — O que te fez demorar tanto aqui fora? Você está bem? — A voz de Liam, geralmente tão terna, soava distante em meus ouvidos. Através das lágrimas, virei-me para confrontá-lo sobre o estado de Mirage, mas o gemido fraco de Breanne cortou o ar. — Liam — Ela gemeu debilmente — Por favor, me ajude — implorou. Liam enrijeceu como se tivesse sido atingido. Ele me soltou imediatamente, como se estivesse pegando fogo apenas com o meu toque. Eu cambaleei com a súbita perda de assistência e contato do meu companheiro, e observei em descrença enquanto sua atenção se voltava bruscamente para a forma encolhida de Breanne no chão. — Breanne! — Seus olhos avermelharam enquanto ele a recolhia em seus braços, embalando-a contra o peito — Oh, minha Deusa, o que aconteceu? Como isso...? Observei enquanto ele gentilmente limpava as lágrimas que manchavam sua bochecha. Seus olhos começaram a se embaçar. Era como se eu estivesse assistindo a um romance em ação ao vivo. A amante perdida há muito tempo, morrendo nos braços de seu amado. Teria sido tocante se não fosse o fato de que aquele era o meu companheiro, segurando outra mulher com tanta ternura enquanto eu estava a cinco metros deles em dor significativamente maior. — Claire não conseguiu controlar seu cavalo. Quando ofereci ajuda para ela se levantar, ela virou o jogo e me culpou! Quando tentei explicar que não era minha culpa, ela soltou aquela b***a miserável em cima de mim! — As lágrimas de Breanne caíam como pérolas quebradas. Sua voz ficou fraca enquanto ela adicionava dramaticamente: — Liam, por favor, não sinto minhas pernas. E se eu nunca mais andar? A expressão de Liam escureceu enquanto ouvia a versão de Breanne dos eventos. Ele se virou para mim com uma frieza súbita que eu nunca havia visto antes. — É verdade isso? — Ele rosnou com raiva, segurando Breanne mais perto dele de forma protetora. Uma dor lancinante rasgou meu abdômen antes que eu pudesse responder. Gritei com a súbita intensidade dela, e agarrei minha barriga, ofegando através dos dentes cerrados enquanto bile metálica subia pela minha garganta. Liam nem sequer piscou diante da visão da minha dor óbvia à sua frente. — Estou levando Breanne para o hospital — Disse com frieza — Se você fez isso, Claire... — Ele deixou a ameaça no ar enquanto embalava Breanne mais perto. Nunca ouvi falar de um Alfa, ou de qualquer m****o de alto escalão em meus estudos escolares ou observações, ameaçando sua companheira e Luna por causa de apenas uma amiga. Era contra o código e ética lobisomem, mas suponho que isso não importava para Liam ou o bando Sterling Moon. Isso se tornaria um evento regular, eu já podia sentir. Observei através da visão embaçada enquanto Breanne dava uma última performance. — Liam, eu... — Suas pálpebras se fecharam com perfeição teatral. — Bree-Bree! Fica comigo! Por favor, não me deixa, amor. Eu estou aqui. Não ouse me deixar! — Liam gritou, já correndo parcialmente transformado em seu lobo para permitir que ele a embalasse e usasse sua força e velocidade de lobo Alfa ao mesmo tempo. Atrás dele, eu desabei com um baque que ecoou pelo campo. Brevemente vi Liam hesitar no meio do passo — apenas por um segundo. Independentemente disso, ele não se virou com o som do meu colapso e respirações superficiais e difíceis. Observava enquanto eles continuavam correndo com Breanne nos braços, me deixando onde eu estava caída. Meu coração se partiu, mesmo que eu tivesse protocolado e decidido deixar tanto Liam quanto esse bando h******l; uma pequena parte de mim ainda se agarrava a uma lasca de esperança de que Liam veria o caminho que estava tomando e o quão distante estava de nós. Mas ele não viu, e foi quando tudo escureceu para mim. ***** Quando recobrei a consciência, o brilho estéril das luzes cirúrgicas agrediu minha visão. Instrumentos metálicos frios tilintavam próximos enquanto minhas pernas eram posicionadas separadas. Tentei falar, mas as drogas me mantinham paralisada. As vozes dos médicos flutuavam acima de mim como fantasmas. Eu podia sentir os movimentos ao meu redor, mas estava acordada, incapaz de me mover, sentir ou falar. Era uma experiência surreal, mas estranhamente familiar à minha vida desde que me acasalei com a família Sterling. Nada mais que um ornamento na parede para todos, incluindo meu companheiro. — Que pena. Dois meses de gestação. Quem sai para montar a cavalo quando está grávida? — A queda desprendeu completamente o embrião. Deve ter sido um impacto forte. Ela tem sorte de estar viva. — Sem um lobo, mais uma hora e ela não estaria. — Aquele homem que a trouxe, era o marido dela? Ele estava mais frio que um bloco de gelo, mas tão bonito quanto o d***o em pessoa. Não dá para dizer muito sobre o acasalamento deles, ele simplesmente pagou a conta e saiu sem dizer uma palavra. — Chega de conversa. Vamos terminar isso antes que ela tenha uma hemorragia. Cada termo médico que chegava aos meus ouvidos — gravidez, embrião, hemorragia, dilatação e curetagem — perfurava minha névoa de drogas como lâminas de prata no coração. A que mais se destacava era quebrada. Eu sabia que eles estavam falando da minha mão, mas era muito mais profundo que isso. Eu me sentia quebrada. Perdi meu filhote. Até recentemente, eu teria amado ter Liam e meu primeiro filhote. Tudo sobre nós parecia feliz e unido, mas agora, parecia simbólico perder os filhotes que eu nem sabia que tinha. Estava perdendo um companheiro por quem nunca deveria ter tido que lutar tanto para manter. Tudo era perfeito até eu ver que era tudo uma cortina de fumaça e não era para ser. Assim como esse filhote. Falsa esperança. Lutei contra o entorpecimento, mas meu corpo se recusava a obedecer. Algo afiado raspou dentro de mim, indolor mas violador. O peso esmagador da percepção me arrastou para baixo antes que eu pudesse gritar, fui novamente envolvida pela escuridão vazia. — Claire... Claire... O tempo perdeu todo o significado. Uma voz distante chamava meu nome enquanto alguém sacudia meu braço. Com esforço monumental, forcei meus olhos a se abrirem. Mais uma vez, o brilho antisséptico das luzes do hospital agrediu minha visão — eu estava em um quarto de hospital.
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