Laura Amanheceu sem sol, com nuvens cobrindo a cidade como um manto espesso. Mas dentro do hospital, naquele pequeno quarto que já parecia mais nosso do que qualquer outro lugar, a luz mais quente do mundo brilhava. A minha menininha, minha guerreira, o meu pedacinho de céu, com as bochechas ainda pálidas, mas os olhos abertos. Mais desperta do que nunca. Eu temia que esse momento nunca chegasse havia dias. Dias inteiros sentada ao seu lado, contando as suas histórias, cantando as suas canções, acariciando a sua mãozinha quase morna, como se isso bastasse para ancorá-la à terra. E hoje... hoje ela olhou para mim. Hoje ela riu baixinho, com aquela risadinha rouca que me quebrava e me reconstituía em igual medida. — Mamãe... Ela gaguejou, com a voz ainda cansada, mas clara como água. C

