8.1

839 Words
A participação nas sessões será obrigatória conforme o cronograma estabelecido. O estudante deverá comparecer aos encontros nos dias e horários informados pela coordenação. Eventuais ajustes deverão ser solicitados previamente e dependerão de aprovação. Li a mensagem duas vezes. — Não é possível, c*****o — murmurei. Rolei a tela para baixo, procurando o nome do tutor. Não havia nenhum. Apenas a informação de que a confirmação seria enviada assim que a seleção fosse concluída. Joguei o celular sobre a cama e me levantei, começando a andar de um lado para o outro. Eu não gostava de ter meus horários definidos por outras pessoas. Muito menos quando nem sabia quem estaria do outro lado da mesa. Peguei o celular novamente e reli a mensagem, como se a segunda leitura pudesse revelar alguma brecha. Nada. A coordenação deixara claro que eu não poderia simplesmente aparecer quando quisesse, faltar sem justificativa ou abandonar as sessões porque tivesse perdido a paciência. Eu teria que comparecer. Teria que colaborar. Teria que estudar. — Que maravilha — resmunguei, jogando-me novamente na cama. Por alguns minutos, fiquei olhando para o teto, tentando decidir o que fazer com o restante do dia. Eu poderia sair, encontrar Jorge e esquecer aquela história por algumas horas. Poderia ligar para Sara e tentar resolver a discussão pendente. Poderia até passar na faculdade para conversar novamente com a coordenação. Mas nada disso mudaria a situação. O acompanhamento estava decidido. A única coisa que ainda faltava era saber quem seria a pessoa encarregada de me ajudar. E eu já estava imaginando a quantidade de paciência que precisaria ter para suportar aquela situação. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Jorge. Eu: A coordenação acabou de confirmar. Vou ter que fazer as sessões nos horários que eles determinarem. A resposta veio em poucos segundos. Jorge: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Fechei os olhos. Eu: Vai se f***r. Jorge: Irmão, desculpa, mas eu não consigo. Isso é muito bom. Eu: Tu vai rir até quando? Jorge: Até o dia em que você me disser que o tutor te deu uma bronca. Eu: Se isso acontecer, eu sumo com ele. Jorge: Tá vendo? É justamente por isso que você precisa de acompanhamento. Pra aprender a controlar essa tua marra. Balancei a cabeça, soltando uma risada curta. Eu: Some da minha frente. Jorge: Te amo também, irmão. Boa sorte com os estudos. Deixei o celular de lado. Eu sabia que Jorge continuaria me zoando durante semanas. E, embora aquilo me irritasse, era melhor do que admitir para ele que estava preocupado com a situação. Não com o tutor em si. Mas com o que aquela reunião representava. Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha sido obrigado a encarar uma parte da minha vida que não estava sob meu controle. Não bastava ter dinheiro, conhecer as pessoas certas ou conseguir resolver os problemas que apareciam fora da faculdade. Dentro daquela instituição, eu precisava apresentar resultados. E, se não conseguisse, as consequências seriam minhas. Fiquei algum tempo em silêncio, até que o celular vibrou novamente. Era outro e-mail da coordenação. Dessa vez, o assunto era direto: Confirmação de participação — Programa de Acompanhamento Acadêmico. Abri a mensagem. O texto informava que minha participação estava registrada e que o primeiro encontro seria agendado assim que o tutor responsável confirmasse a disponibilidade. A coordenação entraria em contato com os detalhes do local e do horário, e eu deveria responder à notificação para confirmar presença. No final, uma última frase chamou minha atenção: Não será possível escolher o tutor ou definir unilateralmente os horários das sessões. A organização ficará sob responsabilidade da coordenação acadêmica. Soltei uma risada incrédula. — Tá bom. Já entendi, p***a. Fechei o e-mail e joguei o celular sobre a cama. Eu iria àquelas sessões. Não porque estivesse feliz com a decisão, mas porque precisava recuperar minhas notas e encerrar aquela história antes que meu pai transformasse aquilo em mais um motivo para me cobrar. Quanto mais rápido eu resolvesse o problema, mais rápido voltaria à minha rotina. Era o que eu pensava. O que eu ainda não sabia era que a pessoa escolhida para me ajudar não seria alguém que eu conseguiria intimidar com um olhar, comprar com dinheiro ou afastar com meia dúzia de respostas arrogantes. Eu ainda não sabia o nome dela. Não sabia como era sua voz, seu rosto ou a maneira como reagiria ao meu temperamento. E, principalmente, não fazia a menor ideia de que aquela obrigação, que naquele momento parecia apenas mais um problema na minha vida, acabaria me colocando diante de alguém capaz de desafiar tudo aquilo que eu acreditava saber sobre mim mesmo. Mas isso era assunto para outro dia. Naquela tarde, eu só queria que a faculdade parasse de me encher o saco. Mensagem da autora: Minhas leitoras, deixem o bilhete lunar e comentem! 🌙❤️ Vocês acham que Vicente vai colaborar ou vai infernizar a vida do tutor? 👀 No próximo capítulo, Mirella vai descobrir que aquela conversa na coordenação pode trazer uma oportunidade maior do que ela imaginava… 💕
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