— A porta da emergência parecia embutida de aço frio quando Lúcios a abriu com força. O corredor branco do hospital girou por um segundo na visão dele: vozes abafadas, o apito distante das máquinas, até que o chão firme reapareceu sob a roda da cadeira. Ele não tinha ideia do que esperar da reação de Ângela, mas, desde que ela estivesse viva, seria melhor para ela. Ele empurrou a porta da sala e parou, o coração batendo num ritmo que não reconhecia: vazia. A maca, sem lençol; os equipamentos desligados. Nenhum sinal de Ângela. — Onde ela está? — a voz saiu trêmula, cortante, quase um comando. Uma enfermeira, ainda com a expressão cansada de quem passou noites em corredores, ergueu os olhos. A confusão no rosto dela foi o pequeno fósforo que acendeu o pânico dentro de Lúcios. — Senhor, ela…

