- Fugir? Ama tanto o rapaz que está disposta a fugir? - ele me encara seriamente.
- Silêncio Marco! - minha mãe entra no quarto preocupada. - Seus filhos estão dormindo! Amanhã precisam acordar cedo para ir até a escola! Amanda? Vá para sua cama, agora!
- Sim mamãe...- Amanda responde cabisbaixa e logo se deita.
- Ela quer fugir com aquele i****a, Anne!
- Eu sei, escutei o que devia e o que não devia! - minha mãe me encara seriamente. - Amanhã conversaremos sobre sua decisão, vá para cama! - ela diz puxando papai para fora do quarto.
- Isa...não acha que seria melhor casar com a rapaz sócio da fazenda vizinha...além de ser herdeiro da vinícola que você trabalha...ele sempre arrumava alguma desculpa para vim te ver...- Amanda diz sobre sua coberta.
- Eu não o amo, se for para me casar...que seja com Jack, afinal ele é legal com vocês!
- Bom...espero que não arrependa...- ela se vira para o outro lado.
*NO DIA SEGUINTE*
Acordo disposta à enfrentar papai e convencer ele. Caminho devagar até a cozinha e encontro ambos sentados na mesa tomando café.
- Querida! - Jack sorri puxando uma cadeira para mim.
- Obrigada meu amor! - sorrio de leve enquanto papai degustava de seu café.
- O rapaz conversou comigo, pediu sua mão...
- Espero que o senhor compreenda o quão grande é meu amor por sua filha...- Jack me encara e seus olhos ficam vidrados aos meus. - Ela é a melhor coisa que já me aconteceu, é uma joia que vou guardar à sete chaves! - ele beija minha testa rapidamente.
- O casamento é algo sério...pretende se casar quando? - minha mãe questiona se sentando ao lado de meu pai.
- O quanto antes! Essa semana seria excelente! A passagem de ônibus para Abilene está com um ótimo preço! E mamãe já arrumou o nosso quarto ontem mesmo! - ele sorri entusiasmado.
- Certo...se estão decididos, minha opinião não importa mais...tem minha benção e permissão para o casamento.
- Seria melhor esperar um pouco...uma vaga no cartório...na igreja, temos que comprar comida para preparar um banquete...
- Que isso Anne? Não é como se fosse o casamento do presidente! - tia Amélia irmã de papai entra na casa sorrindo. - Escutei tudo! Minha sobrinha mais velha vai se casar! É maravilhoso! Estou até emocionada! - ela sorri se sentando na mesa. - Acho que o casamento na igreja demoraria demais...é melhor nos casarmos no cartório, quanto ao banquete...matamos uma vaca e colocaremos para assar...
- Aonde iremos matar uma vaca? - meu pai questiona surpreso.
- Roger meu marido, tem quatro cabeças de gado, uma não vai fazer diferença, quanto ao vestido...tenho guardado o meu, ele está conservado, só precisamos adequá-lo ao seu belíssimo corpo sobrinha!
- Titia...está sendo tão generosa! Não sei como lhe agradecer! - sorrio alegremente e mamãe se levanta indo até o quarto de meus irmãos.
- Me agradeça se casando e formando uma enorme e bonita família! Anda rapaz! Vá até o cartório de Wichita! Precisa arranjar uma vaga! - ela empurra Jack entusiasmada.
- Certo, vou me atrasar um pouco no trabalho, mas será importante! - ele sorri beijando minha testa. - Até mais tarde minha flor!
- Bom, preciso ir para a vinícola...até mais papai e mamãe...
- O herdeiro, Steve, apareceu mais cedo aqui, disse que a fazenda da vinícola não abrirá hoje...ganhou um dia de folga. - meu pai responde abrindo o jornal na mesa.
- Diga tchau ao seu pai e sua irmã! - minha mãe aparece com os meus irmãos prontos para ir à escola.
- Sua benção papai! - todos dizem rapidamente.
- Deus abençoe vocês! - ele sorri passando a mão na cabeça de Matthew o mais novo de 6 anos.
- Até mais tarde irmã! - eles me abraçam e todos caminham juntos para fora de casa.
- Tenham uma boa aula! - Minha mãe grita sobre a janela, a escola ficava há 5 km de casa, então eles sempre saíam cedo.
- Vou pedir Roger para separar a tal vaca! - tia Amélia sai andando atrás.
- Bom...preciso dar comida para as galinhas...- minha mãe encara o papai e sai andando, assim nos deixando sozinhos na cozinha.
- Não se case...não faça isso minha filha...- ele se aproxima tocando minha mão. - Não se case...se você for, tenho certeza que não vai voltar sozinha...é tão bonita, não foi feita para se casar tão cedo, o herdeiro da vinícola...um rapaz respeitoso, com um bom futuro, meu sonho era ver você se casar com alguém assim...
- Jack tem um bom futuro, ele vai conseguir um bom trabalho na obra da cidade...
- Espero que o feitiço que você tem por esse rapaz, não faça você se arrepender tarde demais. - ele se levanta e respira fundo. - Apenas se cuide e não tenha filhos tão cedo...sou seu pai, quero o seu bem acima de tudo! Nunca se esqueça disso...- minha mãe aparece com os ovos na mão e encara papai que balança a cabeça sinalizando um ''não''.
- Pensei que estivesse de acordo, pensei que ao menos a senhora me apoiaria acima de tudo...mas queria que papai me convencesse de desistir do casamento? - encaro ela surpresa. - Quantas vezes vou ter que repetir? Jack é um bom homem, vai trabalhar dobrado na cidade para nos sustentar, não se preocupem! Eu trabalho desde criança, sei fazer tarefas domésticas...- sorrio abraçando papai. - O senhor vai ver! Ele vai conquistar o coração de vocês dois, obrigada por dar sua benção ao casamento, isso é muito importante para mim...
- Enfim...preciso ir trabalhar...- ele se afasta colocando o chapéu. Papai trabalhava com outros lenhadores, eles eram pagos para ir até a montanha do Norte e cortar uma boa quantia de lenha.
- Aqui está seu almoço, se cuide! - minha mãe entrega a marmita cabisbaixa.
- Até depois...- ele sorri beijando a mesma e sai andando.
Naquele dia, 13 de dezembro de 1971, Jack chegou entusiasmado com a notícia de ter conseguido uma vaga no cartório para o dia seguinte. Eu estava alegre, pois ia me casar, construir algo novo, uma família...imaginava que Jack seria o homem perfeito, só Deus sabe o quanto quebrei a cara...
- Está linda de branco! - tia Amélia sorri ao terminar os ajustes do vestido no meu corpo.
- Anda! Vamos nos atrasar, o noivo já está te esperando no cartório! - Amanda diz sorrindo.
- Estou nervosa titia...- sorrio para a mesma.
- Lembre-se, ainda pode desistir de se casar, não se preocupe...se ele enlouquecer eu te protejo...- papai entra no quarto de terno e gravata e mamãe entra junto com ele de vestido azul com babado na barra.
- NÃO! Deixe a menina se casar! Ela é jovem, bonita e tem um corpo excepcional, deixe ela se casar em paz, meu irmão! - tia Amélia olha rígida para papai. - Pronto! Vamos para o cartório. - ela sorri me puxando pela casa.
- Titia...está mais entusiasmada do quê eu...- sorrio surpresa com a mesma.
- Claro minha sobrinha vai se casar! Tenho que ficar entusiasmada! Vamos!
Nos dias de hoje eu me pergunto se titia estava realmente feliz pelo meu casamento...sempre que papai mencionava sobre eu desistir, ela dizia claramente ''NÃO! Deixe a menina se casar!'' é como se ela quisesse me ver sofrer...é errado pensar assim...mas, titia nunca havia sido carinhosa comigo antes de saber do meu casamento, quando me via na vinícola fingia não me conhecer, até desvia o caminho...depois de me casar, eu soube que ela tinha se casado com 16 anos e engravidado aos 17 anos, papai disse que ela odiava morar na fazenda e não gostava da felicidade alheia...depois disso, comecei a pensar...titia me dando aquele vestido, até mesmo a comida para à festa...com certeza ela sabia aonde estava me enfiando.
- Chegamos...- minha mãe diz andando de mãos dadas com papai.
- Certo, respire fundo e diga SIM! - tia Amélia me encara sorrindo, ao entrarmos no cartório encontro Jack e seus pais nos esperando.
- Está linda...na verdade qualquer roupa em você é lindo! - ele se aproxima tocando minhas bochechas.
- Ficamos surpresos com a notícia, espero que sejam felizes acima de tudo! - Marta, mãe do Jack diz sorrindo para mim.
- Enfim, vamos começar? - o tabelião nos entrega a certidão de casamento. - Soube que resolveram se casar o mais rápido possível, então vou tentar executar um cerimônia pequena, só para colocarem as alianças...- ele sorri, enquanto aguarda nossas assinaturas.
- Aliança? - questiono surpresa. - Pagamos caro pela certidão de casamento...
- Eu tenho minhas economias! - ele sorri tirando um par de alianças do bolso. - Não são grandes e exageradas, mas por enquanto deve servir...
- São lindas...você é lindo...tudo está perfeito. - sorrio enquanto ele limpa minhas lágrimas.
- Eu Jack Williams recebo a ti, Isabella Monteiro, como minha legítima esposa, prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da nossa vida.
- Bobo...não estamos em uma igreja...- sorrio de leve envergonhada. - Bom...Eu Isabella Monteiro recebo a ti, Jack Williams, como meu legítimo esposo, prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da nossa vida.
- Jack e Isabella, estão casados perante à lei. - o tabelião sorri nos entregando a certidão.
- Muito obrigada...- sorrio me curvando para o mesmo.
Depois de um casamento rápido e cheio de amor, era a hora de voltar para casa e festejar...volto de mãos dadas com o mesmo, enquanto papai e mamãe permaneceram calados o caminho todo, eles não demonstravam alegria...meu casamento com certeza havia sido um trágico acontecimento para eles, se naquela época eu ao menos tivesse juízo...mas era inexperiente no amor, pois garotas da minha idade, amam e se entregam de corpo e alma à algo que talvez não seja verdadeiro como pensam.
- DISCURSO! DISCURSO! DISCURSO! - titia grita batendo palmas ao lado dos pais de Jack.
- Bom...- ele se vira olhando no fundo dos meus olhos. - Quando conheci você eu pensava que uma menina feito você jamais iria me dar uma chance...agradeço à Deus por ter colocado você em meu caminho...eu te amo Isabella, o meu amor é tão grande que mencioná-lo a todos instante não suficiente...obrigada por existir! Eu te amo! - ele sorri e me beija rapidamente.
- Jack...você é o meu primeiro e único amor, me casar com você é uma das decisões mais importantes da minha vida, você me completa...Ainda que pareça tolice para alguns, você é o único aos meus olhos que faz meu coração disparar, que faz meu corpo arrepiar e o principal, que faz eu ser uma pessoa alegre, eu te amo. - sorrio o beijando novamente.
- Vocês são lindos! É tão emocionante vê-los dizendo essas palavras, tão cheias de sentimentos! - Amélia sorri.
Certo! Admito que meu primeiro casamento não foi tão r**m como me recordava, embora, me lembrar dele faça eu sentir ódio e rancor de mim mesma, mas eu era uma menina apaixonada, eu queria ser feliz, como as garotas eram na radionovela, eu acreditava em contos de fadas, eu acreditava nele! Para mim, se casar com Jack seria passagem para o paraíso ha ha ha é até cafona olhando por lado, mas o amor é a droga que tem mais tempo de duração na cabeça da gente, antes de nos casar, ele me oferecia flores, até mesmo um jardim inteiro, depois de nos casar, não me recordo de ganhar nenhuma flor, se existia rosas, com certeza ele me dava apenas os espinhos...Com o tempo eu não tinha mais raiva dele e sim de mim, papai me avisou tanto e eu nunca o escutei, talvez se tivesse me casado com o herdeiro da vinícola, não estaria tão exausta psicologicamente como estou nos dias de hoje.