Steven
Tenho vergonha de admitir que passei metade da noite me revirando na cama, repetindo cada palavra suja que minha gerente de RH ruiva digitou sobre mim.
Estou ainda mais envergonhado de confessar que gozei tão forte no chuveiro esta manhã que quase escorreguei e rachei meu crânio. Tudo porque não conseguia parar de imaginar os olhos verdes ferozes de Savannah me encarando enquanto ela me cavalgava com força, me dizendo o quão babaca eu sou.
Me divertindo com fantasias de uma funcionária — algo a que nunca me rebaixei antes.
Eu teria que estar morto para não apreciar a maneira como Savannah usa aquelas saias lápis justas, o tecido esticado sobre sua b***a. Ou como suas blusas puxam uma fração apertada demais sobre seus s***s que crescem a cada respiração. Mas eu sempre fui capaz de ter controle.
Deve haver um muro ético entre mim e Savannah. Uma separação clara entre igreja e estado. Ela é o ombro para os funcionários chorarem quando o grande e mau Steven fere seus sentimentos ou espera que eles façam seus malditos trabalhos. Não posso ser pego com minha mão dentro da saia dela.
Eu me certifiquei de que o muro fosse construído alto e forte desde o primeiro dia. Lembro-me da jovem ruiva bonita entrando na entrevista, toda polida e ansiosa
Ela acertou em cheio em todas as perguntas. Era óbvio que ela era o tipo de boa menina que não aceitava falhar.
Seus olhos arregalados continuavam disparando para os meus, procurando por um sinal de aprovação, de calor. Eu podia ver claramente — ela queria que eu parasse com a encenação, que lhe mostrasse um sorriso e insistisse que ela me chamasse de Steven. Que a recebesse com mais familiaridade.
Mas eu tinha que manter distância daquela coisa linda de olhos verdes.
Agora a senhorita certinha acabou de acender um fósforo e jogou em uma poça de gasolina com aquela carta de ódio que ela explodiu na minha cara ontem à noite. Aquela em que ela me estrangula com minha própria gravata enquanto me diz onde enfiar minhas exigências.
Agora ela está atrasada. Depois dessa façanha, ela tem a audácia de me fazer esperar? Se eu não a conhecesse, pensaria que ela estava tentando ser demitida.
Coço o queixo, sentindo minha pressão arterial subir enquanto releio o e-mail de Savannah.
Minhas mais sinceras desculpas, senhor. Tenho um compromisso pessoal e estarei atrasada cerca de duas horas hoje.
Talvez ela esteja tentando ser demitida. Mas ela é do RH; ela sabe que eu poderia demiti-la na hora por essa violação de conduta sem nenhum pagamento generoso. Não faz sentido nenhum. Se ela quisesse sair, ela faria isso de maneira inteligente — tiraria proveito daquela — licença por estresse ao máximo. Ela escreveu o manual do funcionário, pelo amor de Deus. Ela conhece cada brecha como a palma da mão.
Que tipo de jogo ela está jogando?
Dane-se se eu sei.
Tudo o que sei é que passei a última hora andando de um lado para o outro no escritório como um animal enjaulado, incapaz de me concentrar em nada além de pensar nela entrando por aquela porta.
Uma batida forte quebra a tensão, e eu grito um
— Entre — sem nem mesmo tentar esconder o rosnado na minha voz.
A porta se abre e Savannah entra, usando aquela saia lápis que imaginei no chuveiro esta manhã. Deus, me dê força.
— Desculpe pelo atraso, Sr. Campbell — ela diz sem fôlego, pairando na porta.
— Esse agora é seu novo horário?
Suas bochechas estão coradas, o peito arfando como se ela tivesse acabado de correr uma maratona com aqueles saltos. Aqueles cachos vermelhos estão caindo sobre seus ombros, implorando para que eu pegue um punhado e puxe.
Uma garotinha desrespeitosa.
Eu a encaro com raiva.
Ela apenas o encara de volta, seu rosto uma mistura enlouquecedora de confusão educada e vago desconforto.
— Que horas você acha que é? — pergunto, mantendo minha voz furiosa.
— Sei que estou atrasada e peço sinceras desculpas. Minha gata está doente e tive que marcar uma consulta de emergência com o veterinário. E com todo o respeito, senhor, quando agendou esta reunião de última hora já era meia-noite. Não vi o mensagem até acordar esta manhã.
Enfio as mãos nos bolsos, muito nervoso para sequer pensar em sentar atrás da minha mesa.
— Você se importaria em discutir o que você tão atenciosamente compartilhou comigo ontem à noite?
Ela assente secamente.
— Absolutamente. Fico feliz em abrir o documento em questão para que possamos revisá-lo juntos?
Estreito os olhos.
— Não acho que isso será necessário. Entendi a essência bem claramente.
— Excelente. Então você concorda? — Ela nem pisca. Eu aperto meu maxilar.
— Não totalmente, não.
— Entendo. — Ela franze aqueles lábios carnudos. — Com quais partes você teve problemas, especificamente?
— Você está tentando ser engraçada? — Eu rosno, me aproximando.
Ela pisca para mim, aqueles grandes olhos esmeralda são a imagem da confusão.
— Não tenho certeza se entendi, senhor.
A tensão na sala aumenta a cada segundo que passa com sua expressão enlouquecedoramente inocente.
— A que exatamente você acha que estou me referindo aqui, Savannah?
— A nova estratégia de recrutamento que enviei ontem à noite, a seu pedido — ela responde uniformemente. — Continuaremos com a implementação hoje, conforme discutido.
Uma risada áspera sai da minha garganta.
Suas sobrancelhas se uniram em indignação.
— Não consigo ver o que é tão engraçado, senhor.
— Ah, é senhor de novo, não é?
Ela franze a testa.
— Eu sempre me dirijo a você como senhor.
— Você sempre se dirige a mim como... senhor — repito, minha voz cheia de sarcasmo.
Seu semblante mostra a incerteza piscando em seu belo rosto.
— Você prefere Sr. Campbell ao invés disso?
Sorrio lentamente, já imaginando os detalhes tórridos que ela vai rabiscar sobre esse encontro mais tarde.
— Como você gostaria de me chamar, Savannah?
Ela me olha cautelosamente.
— Você nunca teve problemas com a forma como eu me dirijo a você antes.
— Bem, eu tenho um problema com isso agora. Como é que você realmente gostaria de me chamar?
Ela hesita, sua língua disparando para molhar seu lábio inferior. Eu sigo o movimento, meu corpo ficando tenso.
— Steven...?
— Então é Steven — admito, meu tom transbordando de falsa sinceridade.
Eu seguro seu olhar por um longo momento. Está claro agora — ela não tem ideia de que compartilhou seu odioso diário comigo.
Estou tentado a demiti-la agora.
Tão tentado.
Não importa se Savannah gosta de mim ou não. Não estou aqui para ganhar um concurso de popularidade. O que importa é que ela faz seu trabalho e o faz muito bem. E ela faz. Sempre fez.
Mas esse nível de desrespeito? Não posso deixar isso passar. Isso cria um precedente perigoso.
Então, novamente, talvez haja outra maneira de lidar com isso. Uma maneira que poderia ser muito mais satisfatória do que simplesmente substituí-la. Talvez eu pudesse me divertir um pouco primeiro.
— Revisei sua estratégia — murmuro. — Devo dizer que foi uma leitura intrigante. Cheia de paixão inesperada. Não é seu estilo reservado de sempre.
A incerteza retorna ao seu rosto, uma mistura de indignação e confusão.
— Coloquei meu total comprometimento e paixão em cada esforço para esta empresa.
— Claramente. — Eu rio sombriamente, gostando mais desse jogo do que deveria.
— Vamos prosseguir precisamente como você descreveu então.
— Excelente. Chefe. Steven. Ela afirma com um aceno brusco, suas feições suavizando-se naquele profissionalismo que eu conheço tão bem.
— Afinal — continuo —, queremos atrair os melhores e os mais brilhantes. Não alguns caras balançando seus paus como se fossem um presente de Deus para o mundo corporativo. Entupindo o grupo de candidatos com seus egos inflados. E o mesmo vale para as moças, é claro.
Seus olhos se arregalam, a compostura vacilando por um delicioso momento antes de ela se recuperar. Ah, isso é divertido.
— Certamente não. Esta empresa já tem personalidades com voláteis o suficiente na equipe. Já temos pessoas tentando jogar cadeiras pelas janelas, como você sabe.
Ela faz uma pausa, seus olhos procurando os meus.
— Há mais alguma coisa?
— Isso é tudo. Por enquanto.
Ela sustenta meu olhar por mais um momento, com a testa franzida como se estivesse tentando decifrar alguma mensagem oculta em nossa conversa, antes de dar um aceno rápido e se virar para ir embora.
Eu a observo ir embora, me perguntando o que diabos estou fazendo. Qualquer outra pessoa que ousasse me desrespeitar assim já estaria fora. Mas Savannah é diferente. Trabalhadora, resiliente, ela se manteve firme contra todos os desafios que lancei a ela.
Isso apresenta um dilema interessante. Um que requer consideração cuidadosa. E Savannah, quer saiba ou não, acaba de fazer um movimento muito ousado e muito perigoso.