A noite era tranquila no bairro suburbano onde Cícero Neves morava. A luz amarelada dos postes banhava ruas silenciosas, onde o único som era o latido distante de cães e o zumbido das televisões vindo das janelas das casas. Era a imagem da normalidade, da segurança. Uma ilusão. Em uma van de manutenção sem logotipo, estacionada no final da rua como uma sombra alongada, Borges observava através de um monitor de alta definição. A paciência era a arma mais afiada em seu arsenal. Ele observou Cícero Neves chegar, o sedã comum parando em frente a uma casa modesta. Viu o homem sair, cansado, alheio a tudo, carregando uma sacola de pão. Viu as luzes da casa se acenderem. E então, ele esperou. Uma hora. Duas. Deixou que o alvo se acomodasse, que baixasse a guarda, que acreditasse que o dia d

