Eram quase duas da manhã. O circo da mídia do lado de fora do São Lucas havia diminuído, substituído pelo silêncio frio dos seguranças de Cesar Mendonça e pelo bipe rítmico dos monitores. No "bunker" da neurologia, Gabriel estava sentado no chão do corredor, encostado na parede, do lado de fora do quarto de Mateo. A porta estava aberta, e dois dos homens de Cesar montavam guarda na outra extremidade do corredor. Maria José finalmente havia cedido ao cansaço e dormia em uma poltrona dentro do quarto. O hospital estava quieto. A exaustão da luta, do medo e da raiva finalmente o atingiu. Seu rosto latejava onde a bota o acertara. Ele pegou o celular descartável. Precisava ouvir a voz dela. Na mansão, Alessandra estava deitada, mas não dormia. Ela olhava para o teto, o celular sobre

