Eu olhei para a menina à minha frente, a pequena serpente de platina brilhando em seu peito. Naquele momento, eu não vi apenas uma neta. Vi a minha sucessora. A herdeira não do meu dinheiro, mas da minha vontade, do meu aço. Eu sabia, com uma certeza absoluta, que ela jamais se tornaria uma mulher fraca como a mãe. Eu a estava forjando para ser uma rainha. *** Presente. Sala de Visitas da Penitenciária Feminina de São Pietro. O cinza do uniforme de detenta de Vitória era um insulto aos meus olhos. O vidro de acrílico que nos separava, uma barreira patética. Eu a encarava, agora uma mulher mais velha, mas com o mesmo fogo queimando por dentro. Ela, minha neta, a rainha que eu criei, estava ali, derrotada. — Você parece ter se esquecido daquelas lições, Vitória — eu disse, a voz ba

