Uma semana antes... As câmaras privadas de um desembargador de plantão no Tribunal de Justiça de São Pietro não eram um lugar para o público. Ali era onde o poder corrupto se instaurava, longe dos olhos de todos. Sentado atrás de sua imponente mesa de jacarandá, o desembargador ouvia, a expressão neutra, enquanto o Dr. Alencar, o advogado dos Fontana, fazia sua performance. Olívia Fontana estava sentada em uma poltrona ao lado, uma estátua de gelo e diamantes, sua presença na sala uma ameaça mais eloquente que qualquer argumento. — Meritíssimo, não estamos aqui para negar a gravação — começou Alencar, a voz suave, respeitosa, a de um homem que sabe que já venceu. — Pelo contrário. Estamos aqui para pedir que o senhor a ouça com os ouvidos da justiça. O que a promotoria chama de con

