A primeira reação do Juiz Edgar Montenegro após desligar o telefone foi vomitar no vaso de plantas do seu escritório. A voz de Vitória, fria e letal, ecoava em sua mente. A ameaça não era vazia. Ele conhecia o poder dos Fontana. E conhecia o olhar da filha deles. Ele correu pela casa, o pânico dando-lhe uma energia febril. Encontrou a esposa na sala de estar, lendo uma revista, a imagem da tranquilidade. — Querida, faça as malas. Agora — ele disse, a voz ofegante. Ela o olhou por cima dos óculos de leitura, confusa. — As malas? Edgar, do que você está falando? — Férias! — Ele disse, a palavra soando como um grito de socorro. — Ganhamos uma viagem surpresa. De última hora. Um prêmio do tribunal. Partimos em poucas horas. — Agora? No meio da noite? Você está louco? — Ela protesto

