O silêncio no andar de neurologia era opressor. Tinha o peso da segurança reforçada, do cheiro fraco de ozônio dos equipamentos e do medo contido. O andar, agora um "bunker" sob controle dos homens de Cesar, estava isolado do resto do hospital. Na sala de espera da diretoria de enfermagem, transformada em base temporária, a exaustão era palpável. Maria José rezava baixinho, um rosário passando por seus dedos trêmulos. Dr. Holanda, com o rosto pálido e úmido de suor frio, bebia o quarto copo de café, que já devia estar gelado. Gabriel estava de pé, de costas para eles, olhando pela janela selada o anoitecer de São Pietro. Ele ainda sentia a adrenalina da luta vibrando sob a pele, seu rosto doendo onde o calcanhar da bota do assassino o atingiu. A TV, em um canto, estava ligada em um

