A contraproposta de Olívia Fontana pairou sobre a mesa como a fumaça podre de um veneno mortal. O risotto dela e o tagliolini de Cesar estavam intocados, o vapor havia desaparecido. O perfume do limão e do queijo Pecorino, antes convidativo, agora cheirava a uma negociação fracassada. O restaurante, que antes sussurrava, parecia ter prendido a respiração coletivamente. Ninguém podia ouvir a conversa, mas a linguagem corporal era universal. Cesar Mendonça pousou o garfo. Ele não o largou, ele o colocou ao lado do prato de massa fria com uma precisão deliberada, perfeitamente alinhado à faca. Ele se recostou na cadeira, um movimento controlado que esticou o tecido caro do seu terno cinza-carvão. Olívia o observava, o leve sorriso de quem acaba de definir a taxa de juros ainda brincando

