O quarto de Mateo no andar de neurologia era banhado pela luz suave da manhã. O som dos monitores era um bipe rítmico e reconfortante, um metrônomo para a esperança. Gabriel havia puxado uma poltrona para perto da cama, e Maria José sentava-se do outro lado, segurando a mão direita do filho adormecido. Como estavam sozinhos, a língua deles mudou instintivamente para o espanhol, um dialeto de dor e afeto familiar. — Acorda logo, pirralho — disse Gabriel, a voz baixa, um sorriso cansado em seus lábios. — Eu ainda estou te devendo aquele sorvete da La Delicia. E se você demorar muito, eu juro que como o seu, vou deixar nem a casquinha. Maria José riu suavemente, os olhos fixos no rosto pálido do filho mais novo. — Eu sinto falta desse seu sorriso, mi niño — ela sussurrou, acariciando

