O sol do final da tarde pintava o jardim da mansão Mendonça com pinceladas de ouro e laranja. Pela primeira vez em dias, Alessandra sentia um vislumbre de paz. Rodeada pelas rosas que sua mãe cultivava com tanto esmero, ela se sentou em um banco de mármore, a mão repousando sobre a barriga, tentando se conectar com a pequena vida que era sua única certeza. O ar era doce, o silêncio quebrado apenas pelo canto dos pássaros. Por um momento, ela conseguiu esquecer o tribunal, os advogados, as mentiras. A paz, no entanto, era frágil. — Senhora Mendonça? A voz grave de um dos seguranças da família a fez sobressaltar. Ele estava parado a uma distância respeitosa, o rosto impassível. — Me desculpe por incomodar, mas há um Oficial de Justiça no portão. Ele tem um documento para a senhora.

