Vitória olhou para o próprio reflexo no espelho e depois para a imagem de Enrique, parado calmamente atrás dela. A sugestão dele era tão absurda que ela soltou uma risada, um som de puro escárnio. — Eu? Você está louco, Romani? Eles vão me reconhecer no instante em que eu pisar naquele prédio. — Aí é que está — disse ele, a voz perfeitamente disciplinar. — Você vai disfarçada. — Disfarçada? — Ela se virou para ele, cética. — Com uns óculos de bigode e nariz falsos? Esse seu plano genial vai por água abaixo na hora. Deve ter outro jeito. — Não. Você é a mulher perfeita para isso. Forte, inteligente e subestimada por eles — ele a analisava, não como um homem olha para uma mulher, mas como um general avalia uma arma. — Você já pensou em pintar o cabelo? Um loiro ou um ruivo? — Loiro

