O som do despertador era uma agressão aos ouvidos. Gabriel o desligou com um tapa, a mão tateando no escuro. Por um instante, antes que a consciência o trouxesse de volta à realidade, seu braço procurou instintivamente pelo calor de Alessandra ao seu lado na cama. Mas encontrou apenas o vazio frio dos lençóis. A lembrança o atingiu com o peso de sempre. A audiência. A ordem do juiz. O apartamento estava silencioso. Vazio. A ausência dela era uma presença física, um fantasma que o assombrava em cada cômodo. Ele se levantou, o corpo cansado. A nova rotina era um purgatório. Acordar, ir para o hospital, mergulhar no caos da emergência, salvar vidas, voltar para casa. E então, o silêncio. Ele tentava preenchê-lo com livros, com relatórios médicos, com qualquer coisa que mantivesse sua ment

