O silêncio na porta do apartamento era uma corda esticada, prestes a arrebentar. Mateo permaneceu no corredor, a mala na mão, o olhar alternando entre o rosto fechado do irmão e a figura tensa de Alessandra na cozinha. Alessandra, por sua vez, sustentava o olhar de Gabriel, o coração apertado, preparando-se para a explosão que ela mesma havia causado. Ela esperava gritos, acusações, a porta batendo. Mas a explosão não veio. Gabriel manteve o olhar em Alessandra por um longo e pesado segundo, a dor da traição de sua confiança visível em seus olhos. Mas então, algo mudou. Ele viu o medo no rosto dela, o pânico de ter errado, a preocupação que a levara a fazer aquilo. E olhou para o irmão, que havia cruzado o país sem hesitar. Ele viu o amor, o cuidado. Estavam ali por ele. Os dois. E a

