A noite havia caído sobre a mansão Mendonça. O dia se foi sem despedidas. O silêncio era uma cobertura fina sobre uma tensão que vibrava no ar. Cesar não havia saído do seu escritório. Ele não parava de pensar, a montanha-russa não cessava. A ligação de Gabriel, horas antes, havia sido a chave que confirmara seus piores medos. Sua filha estava trancada no quarto, no andar de cima, em sua própria casa, aterrorizada demais para falar com o próprio pai. A Boreal. Ameaças. O fantasma de Vitória. Ele não estava mais apenas irritado. Estava em fúria. Ele tinha que fazer alguma coisa, lutar por sua filha. Salvá-la dessa perdição injusta. A porta do escritório se abriu, e Borges entrou, a expressão impassível, mas com a urgência de um homem que traz más notícias. Ele não esperou que Cesar per

