A escuridão da noite era um manto que William esperava que escondesse seus pecados. Com a mala pesada e macabra trancada no porta-malas de seu sedã de luxo, ele dirigia pelas ruas de São Pietro, o coração martelando contra as costelas a cada farol, a cada carro que passava ao seu lado. Desta vez, não havia drogas ou álcool para entorpecer seus sentidos; havia apenas a clareza fria e cortante do medo. As ordens de Vitória ecoavam em sua cabeça. O mesmo lago. O caminho já era familiar, uma trilha sombria gravada em sua memória. As luzes da metrópole foram ficando para trás, substituídas pela escuridão impenetrável das estradas vicinais. A cada quilômetro, o alívio que sentira ao saber que Alessandra estava viva era corroído pela realidade de seu novo crime. Ele estava se aproximando.

