A sala de reuniões era um cubo de vidro estéril em um prédio comercial anônimo. Impessoal. Perfeito para o funeral de uma empresa. Eu entrei seguida pelo meu advogado, Matos. Sentado à mesa, Ricardo Oliveira era a imagem da derrota. Envelhecera dez anos em poucas semanas. Os ombros caídos, o terno caro parecendo grande demais para o corpo emagrecido, o olhar perdido no nada. Ele não ergueu a vista quando Matos se sentou. Esperava apenas os advogados da holding desconhecida que compraria os destroços de seu império por uma ninharia. Foi só quando eu puxei a cadeira na cabeceira da mesa que ele levantou a cabeça. O choque em seu rosto foi a primeira parcela do meu pagamento. A cor sumiu da sua pele, os olhos se arregalaram em uma mistura de ódio e pavor. — Você... — ele gaguejou. — O

