A ala da penitenciária feminina onde Vitória Fontana estava detida não era para criminosas comuns. Era uma divisão que poderia erguer centenas de prisões como aquela. Ou seja, era habitada por mulheres cujo único erro fora serem pegas: ex-executivas, políticas cassadas, viúvas de mafiosos e chefes de facção. Eram leoas mais velhas, rainhas depostas. E, nesse novo ecossistema, Vitória não era uma presa. Ela era a nova predadora alfa. Naquela tarde, no pátio interno, ela estava sentada em um banco de concreto com seu novo círculo de "amigas". Elas a ouviam, fascinadas, enquanto ela contava, pela enésima vez, a história que a tornara uma celebridade ali dentro. — ...a faca na mão, os olhos de um louco. Ele vinha para cima de mim — ela narrava, a voz calma, quase divertida, como se con

