Capítulo 56

512 Words

As horas se arrastavam com uma lentidão torturante. O sol da tarde desceu pelo céu de São Pietro, e as sombras das torres de concreto se esticaram pela sala de estar como dedos longos e escuros. William não se moveu de sua poltrona, exceto para encher o copo de uísque repetidas vezes. Cada gole era uma tentativa de apagar a realidade, mas o álcool apenas servia para afrouxar as correntes que prendiam suas memórias mais sombrias. Ele olhou para as próprias mãos, grandes e capazes, que agora pareciam pertencer a um estranho. Um flash. Ele não estava mais em sua cobertura, mas no apartamento de Vitória. O cheiro não era de couro e perfume, mas de desinfetante e algo metálico, doce e nauseante. Ele se lembrou do peso. O peso terrível e desajeitado de diferentes partes de um corpo descone

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