William Abner era o último ser humano no mundo. Ou era assim que se sentia enquanto o ronco do motor do seu carro esportivo avançava e dominava toda a noite, escura e silenciosa, sem lua para bisbilhotar o que ele fazia. Ele dirigia rápido o bastante para ser um corredor profissional, seu olhar era o de um homem que tentava escapar de um pesadelo que ele mesmo tinha criado. A cidade de São Pietro, densa e firme como uma montanha de aço, o seu império onde podia ser livre como queria, agora era uma prisão angustiante e fria. Cheia de memórias, mentiras e, enfim, um assassinato perpetrado diante dos seus olhos. William gostava de se gabar de ser um homem no controle, tudo na sua vida estava nas suas mãos, até mesmo a sua esposa, mas ali, naquela noite estranha, ele parecia um fugitivo.

