A voz do porteiro, distorcida pelo interfone, soou como uma sentença. — Sr. Abner, uma entrega para o senhor. — Pode... pode subir — William gaguejou, a garganta seca. O tempo que o elevador levou para chegar ao seu andar pareceu uma eternidade. Ele esperou, parado no meio da sala, as mãos suando. Quando a campainha tocou, ele forçou o corpo a se mover, o rosto a se compor em uma máscara de normalidade. Abriu a porta. O entregador, um jovem com um uniforme surrado, sorriu, alheio ao inferno que se passava na cabeça do homem. Ele manobrou com dificuldade a caixa de papelão gigantesca para dentro do apartamento. — Aqui, só assinar, por favor — disse o rapaz, estendendo a prancheta eletrônica. A assinatura de William saiu como um rabisco trêmulo e ilegível. Ele fechou a porta no i

