O trajeto de táxi até o hospital foi curto, mas o mundo que Gabriel via pela janela era completamente diferente do da noite anterior. A luz da tarde se encerrando parecia mais alaranjada, a cidade, menos hostil. Ele não estava mais sozinho em sua dor. Ele encontrou a mãe exatamente onde a deixara: em uma cadeira no corredor da UTI, uma sentinela silenciosa em frente à janela de vidro. Ela se levantou assim que o viu, o rosto cansado da longa viagem, mas os olhos cheios de uma força inabalável. Ele a abraçou. — A senhora está bem? — Ele perguntou, a voz cheia de um carinho protetor. — Sempre estou bem perto dos meus meninos — ela respondeu, afagando as costas dele. — O doutor veio há pouco tempo. Ele disse que... ah, aí está ele. Dr. Holanda se aproximava, um sorriso cansado, mas ge

