A ordem da mãe foi a única que Gabriel não teve forças para contestar. Ele deixou o hospital, o peso da vigília transferido para os ombros de Maria José, e voltou para o seu apartamento. O lugar estava silencioso, mas não mais opressivo. Saber que a mãe estava lá, uma sentinela de amor incondicional em frente àquele vidro, era uma âncora que o permitia, finalmente, se soltar. Ele tomou um banho longo, a água quente lavando o cheiro de hospital e a exaustão de dias de adrenalina e dor. Não pensou. Não planejou. Apenas se deitou na cama, o corpo pesado como chumbo. Pela primeira vez desde que a vida virara de cabeça para baixo, ele não teve pesadelos. Apenas a escuridão abençoada de um sono profundo e sem sonhos. Quando acordou, a luz que entrava pela janela era suave, alaranjada. O

