A luz da manhã invadiu o quarto de Alessandra. Ela estava sentada na cama, encostada nos travesseiros, o corpo presente, mas a mente a quilômetros de distância, presa no loop infernal do vídeo que a assombrava. Ela balançou a cabeça como se aquilo pudesse afastar as imagens e tentou esquecer a dor que sentia. A porta se abriu suavemente e sua mãe, Helena, entrou carregando uma bandeja. O cheiro de café fresco e panquecas encheu o ar, um aroma de normalidade que parecia pertencer a outro mundo. — Bom dia, minha gravidinha — disse Helena, a voz um carinho, colocando a bandeja sobre o colo de Alessandra. — Começa hoje o seu quarto mês. Precisamos comemorar com a minha especialidade. Alessandra olhou para as panquecas, ligeiramente queimadas nas bordas, como sempre. Em qualquer outro dia

