Gabriel chegou em casa exausto, mas com uma paz de espírito que não sentia há muito tempo. Ao entrar, ouviu a voz de Mateo vindo da sala, falando em um português enrolado, rápido e autoritário, ao telefone, resolvendo algum incêndio - não literal - em um de seus restaurantes na Bahia. Gabriel sorriu. Ter o irmão ali, enchendo o apartamento de vida e problemas normais, era a melhor terapia do mundo. Quando Mateo o viu, encerrou a ligação rapidamente. A sós, a língua deles mudou instintivamente. — Oi, Biel — disse Mateo, agora em espanhol, como eles falavam quando estavam sozinhos, fechando o laptop. — Temos que conversar. Gabriel jogou a mochila no sofá, o cansaço do dia pesando nos ombros. — Fala aí. Qual a nova? O vovô cheirou pimenta de novo? — Seria engraçado. Mas não é isso —

