A porta do apartamento se fechou, e o silêncio da noite o engoliu. Mais um turno de doze horas havia terminado. O hospital, com seu caos de vida e morte, era o único lugar onde a mente de Gabriel não tinha tempo para vaguear. Mas em casa, na solidão, os pensamentos sempre voltavam. Ele aqueceu os restos da comida de ontem no micro-ondas e se sentou à pequena mesa da cozinha, o cansaço pesando em seus ombros. Automaticamente, sua mão foi para o bolso do peito e tirou a carta de Alessandra. O papel já estava amassado nas dobras, macio de tanto ser manuseado e lido. Ele passou os olhos pelas palavras dela novamente, cada frase um bálsamo para sua alma cansada. A lembrança de uma conversa, de uma vida inteira atrás, veio à sua mente sem ser convidada. Ele tinha uns dezesseis anos, deitad

