Valentina
Quando vi Austin entrar no meu quarto gritei de pura felicidade indo ao seu encontro, chorei abraçada ao meu amigo.
_ Você está bem? - o perguntei aflita o fazendo dar uma volta o fazendo sorrir.
Austin deu uma volta completa sobre si levantando as mãos para o auto. A roupa dele era um traje fino composto de uma calça clara e uma camisa azul sendo amarrado com um belo cinto.
_ Estou muito bem. - lhe segurou as mãos e beijou - Quando Lion nós achou estávamos certos de que íamos morrer.
_ Lembro desta parte. - soltei minhas mãos das deles passando por meus braços, sentindo calafrios ao me lembrar das cenas - Onde conseguiu aquela espada? - o guiei até uma mesinha e nós sentamos.
_ May. - sorriu - Ela me ensinou algumas coisas também. May parece uma personagem daqueles filmes de luta antigo j*******s. Uma linda e brava guerreira!
O brilho, a admiração e o sorriso que vi nele sobre May me chamaram atenção.
_ Morgana não vai gostar disto. - pensei alto e me arrependi.
_ Do que? - ele me perguntou inocente.
_ Desta sua aproximação com May. - expliquei.
_ Somos apenas bons amigos. - se defendeu.
_ Não é a mim que tem se convencer. - sorri da cara confusa dele - Conheceu o castelo? - mudei de assunto.
_ Infelizmente não. Não temos permissão de sair de nossos quartos. Nem vir te visitar eu pude, para saber como estava. Lion que me trazia notícias. - revelou para meu desagrado.
_ E como estão os outros?
_ Os lobos sofreram menos, pois ficaram juntos com os outros animais de Arfix. Mas eu soube de uma briga entre eles. Níger e o alfa deles brigaram por causa de Prateada.
_ Níger? - o olhei confusa.
_ Aquele lobo preto gigante. - explicou.
_ Mas, como assim brigaram? Eles não estão separados? Prateada e os filhotes? - senti meu coração aflito.
_ Eles estão separados até onde sei, mas dois alfas juntos gera conflitos por causa de território e fêmeas. Mas estão todos bem.
_ Darla, May e Stolk? - segurei a mão dele firme.
_ Se não fosse por Lion estariam numa prisão.
A cada minuto eu odiava mais aquele homem. Como ele ousava tratar assim meus amigos?
Austin vendo minha indignação se levantou e me abraçou forte.
_ Hei... - beijou minha cabeça - ...não precisa ficar assim. Amanhã o resto do pessoal chega e aí podemos dar o fora daqui. - me tranquilizou e me afastou um pouco - Só quero ver a cara de Gabriel quando a ver linda assim. - começou a sorrir me contagiando.
_ Bobo. - fui até outra mesinha e servi suco para ambos. Bom, eu acho que é suco - Onde é seu quarto?
_ Me colocaram num quarto neste mesmo corredor quase de frente para o seu, mas nada é comparado a este aqui. - admirou o ambiente.
_ Isto é um tratamento de hotel cinco estrelas. - levei a taça até ele - Parece uma suíte presidencial.
_ Não, de uma princesa. - fez uma reverência engraçada antes de aceitar a taça me fazendo rir alto.
A porta se abriu e Lion apareceu trazendo May, Darla e Stolk. Pela primeira vez desde que nós reencontramos percebi Lion visivelmente desconfortável na presença das mulheres.
Fui até as duas mulheres e as abracei com carinho, no início elas ficaram tímidas, mas depois retribuíram com afeto.
Stolk apenas a cumprimentou polidamente antes de se deitar num canto do quarto.
Notei que elas estavam vestidas com roupas da mesma qualidade que a minha. E tinham penteado o cabelo de ambas.
Darla apesar da pintura no rosto, continuava linda.
_ Como vocês estão? - quis saber preocupada as levando para se sentar - Eles as trataram bem?
_ São uns idiotas! - exclamou May se levantando e indo se sentar ao lado de Austin que sorriu.
_ Valentina... - me chamou Lion que continuava na porta - ...precisa de mais alguma coisa?
_ Pode trazer Prateada aqui e os filhotes?
_ Creio que vai causar um alvoroço, mas verei o que posso fazer. - sorriu e saiu, fechando a porta.
Uma hora depois meu quarto fervia de pessoas e animais que me explicavam com riqueza de detalhes o que tinha acontecido na viagem e quando fomos resgatados.
Quando quis saber mais sobre o lugar que estávamos Darla foi uma fonte inesgotável de informação. Ela descreveu com detalhes as ruas de pedras polidas, das casas dos nobres, as praças com seus chamariz de figuras mitológicas, das grandes aves que a sobrevoavam livres, das pontes que eram como obras de artes sobre rios de águas verdes esmeralda, das casas dos colonos que cultivavam no campo... Mas seus olhos brilharam quando descreveu o grande carvalho azul de folhas brancas que crescia na grande praça. Segundo a mesma os poderes dela eram inimagináveis, nem mesmo Arfix conhecia todos seus poderes.
Arfix ergueu um belo jardim ao redor do carvalho que era símbolo de seu reino, onde vários casais se encontravam a noite.
Cada relato que Darla fazia sobre seus habitantes via-se o brilho da alegria e dor em seus olhos. A saudade era latente em cada descrição. Por isto eu soube... Darla pertencia àquele reino. Agora entendia o desconforto de Arfix.
Já estava muito tarde quando Lion apareceu e disse que era hora de se recolher. Ele ficou um pouco ausente durante o restante o dia, só surgindo com mulheres que traziam alimentos.
Me despedi de todos, mas pedi que Prateada e os filhotes ficassem comigo.
As servas que vieram me arrumar para dormir ficaram meio temerosas, mas logo os filhotes descontraíram o ambiente.
_ Preocupada? - quis saber a loba me vendo parada a grande janela admirando as luzes coloridas da cidade aos meus pés.
_ Sim. - me virei para ela, os filhotes estavam dormindo num tapete felpudo - Eu não sei o que vou encontrar daqui para frente.
_ Muitos desafios eu creio. Enfrente uma batalha por vez Majestade. - ponderou ela com sabedoria - Você já mostrou que é guerreira e forte.
_ Hoje tive que ser diplomática. - sorri ao me lembrar de Lion.
_ Governar vai exigir muito de você.
_ Isto que me assusta. - sai da janela e fui para a cama - E se eu fizer algo errado? - me deitei.
_ Você terá ajuda de seus amigos Majestade. Os ouça, mas principalmente ao seu coração. Ele é sempre será um ótimo conselheiro.
_ Você tem razão Prateada. - suspirei ao deitar. Depois sorri ao me lembrar que amanhã iria reencontrar Gabriel e meus amigos.
Já tinha se passado algumas horas quando uma estranha luz iluminou meu quarto me acordando.
_ Pela pureza e sinceridade em seu coração irei ajudá-la. - me disse a forte luz que pairava em frente ao meu rosto.
_ Quem é você? - tentei tocar, mas as pontas de meus dedos queimaram.
_ Amanhã. - me disse antes que a luz sumisse.
E agora, mais está?, pensei ao me deixar cair nos travesseiros.
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Amo luzes estranhas, acho que deu para perceber né? ??????????