O juiz ainda parecia completamente confuso com tudo o que estava acontecendo.
Olhou para Clara.
Depois para Leonardo.
Depois para os convidados que assistiam à cena em absoluto silêncio.
— Eu... preciso perguntar mais uma vez. Os senhores têm certeza do que estão fazendo?
Clara ainda segurava a mão de Leonardo.
Seu coração estava disparado.
Tudo aquilo havia acontecido tão rápido que parecia um sonho.
Ou uma loucura.
Leonardo então deu um passo à frente.
— Meritíssimo, faça o casamento.
— Senhor Moretti, casamento é uma decisão séria.
— Eu sei.
— A senhorita está emocionalmente abalada.
Leonardo olhou para Clara.
— Se ela disser não, eu vou respeitar.
Os olhos dele encontraram os dela.
— Clara, a decisão é sua.
O salão inteiro aguardava.
Sua mãe chorava em silêncio.
Seu pai observava sem dizer uma palavra.
Clara respirou fundo.
O homem que ela amava a havia abandonado.
Mas o homem que estava diante dela tinha permanecido.
Tinha caminhado até ela quando todos apenas observavam.
— Você tem certeza? — ela perguntou baixinho.
— Tenho.
— Mesmo sabendo que isso pode ser um desastre?
Leonardo sorriu.
— Os melhores capítulos começam exatamente assim.
Pela primeira vez naquele dia, Clara riu.
Uma risada pequena, mas sincera.
Então apertou a mão dele.
— Certo.
— Certo?
— Certo.
Leonardo não conseguiu esconder o sorriso.
Clara virou-se para o juiz.
— Pode continuar.
Um murmúrio percorreu toda a igreja.
A mãe dela levou a mão à boca.
O pai balançou a cabeça, incrédulo.
E o juiz, depois de alguns segundos processando a situação, abriu novamente o livro da cerimônia.
— Muito bem...
Ele ajeitou os óculos.
— Então vamos prosseguir.
Os convidados se levantaram.
A tensão foi dando lugar à curiosidade.
E a cerimônia recomeçou.
— Estamos reunidos hoje para celebrar a união destas duas pessoas...
Leonardo não tirava os olhos de Clara.
Ela percebeu.
E estranhamente aquilo a deixava calma.
Minutos depois chegaram aos votos.
— Senhor Leonardo Moretti, aceita Clara como sua legítima esposa?
Sem hesitar sequer um segundo.
— Aceito.
Algumas pessoas sorriram.
Outras enxugaram lágrimas.
Então o juiz voltou-se para Clara.
— Senhorita Clara, aceita Leonardo Moretti como seu legítimo esposo?
O coração dela acelerou.
Era a decisão mais impulsiva de toda sua vida.
Mas também parecia a mais segura.
Olhou para Leonardo.
Ele aguardava pacientemente.
Sem pressão.
Sem exigências.
Apenas esperando.
E isso fez toda a diferença.
Um sorriso tímido surgiu em seus lábios.
— Aceito.
O salão explodiu em aplausos.
A mãe dela começou a chorar ainda mais.
O pai limpou discretamente os olhos.
O juiz sorriu.
— Sendo assim, eu os declaro marido e mulher.
Clara m*l teve tempo de reagir.
Porque Leonardo aproximou-se devagar.
Como se ainda estivesse pedindo permissão.
Ela assentiu levemente.
Então ele a beijou.
Os convidados comemoraram de pé.
E, enquanto aplausos ecoavam pela igreja, ninguém percebeu que, do lado de fora, um carro acabava de parar bruscamente.
E dele desceu o homem que deveria ter sido o noivo.
Pálido.
Desesperado.
Correndo em direção à entrada da igreja.
Mas já era tarde demais.