Capítulo 18
~ Psicólogo Informa ~
--O QUE MAIS a incomoda, Ana? --quis saber o alto Augusto Reis, psicólogo do amigo de minha mãe, que agora, certamente, passaria a ser o meu, também.
Eu me sentia meio estranha, tendo que falar sobre mim para um desconhecido. Eu sabia que poderia confiar porque ele é profissional, não um vizinho intruso, que comentaria minha vida para os ouvidos alheios. Mas, ainda assim, não é fácil acostumar-se a isso.
--Eu não sei, exatamente --respondi.
Mas eu acho que sabia, sim. Eu estava com muita saudade de Karen. Minha amiga havia passado semanas comigo, como nunca antes. Sempre fomos muito próximas, muito amigas, mas dessa vez, era algo muito mais forte. Nossa amizade havia se intensificado.
Vivemos coisas maravilhosas juntas e, ficar sem isso, incomodava-me. Não só causava-me incômodo, mas também, tristeza.
Eu não conseguia dizer isso ao psicólogo. Pelo menos, não com a minha mãe ali, presenciando tudo. Talvez eu pudesse falar em uma outra oportunidade, quando estivesse sozinha com ele.
--Vamos, filha, fale-- minha mãe disse, segurando minha mão direita, em forma de incentivo.
--Mas eu não sei bem, mãe-- respondi.
--Tudo bem, Carla. Ela pode fazer isso depois --disse Augusto, com sua voz grave. Ele me olhava com aqueles olhos pretos brilhantes, num rosto bem desenhado.
--Eu só gostaria que soubesse que vai ficar tudo bem, Ana. Você pode estar enfrentando momentos de muito stress. Cuide-se. Eu sei que na prática não é fácil, mas tente com todas as forças que ainda existem em você. Hidrate-se. E o principal: ame-se. Pode parecer difícil, às vezes, mas tente um pouquinho todos os dias. Em breve eu quero te ver mais relaxada. Inclusive, vou passar para você alguns exercícios para relaxar, caso sinta-se tensa.
*
A ida ao psicólogo me fez pensar se eu realmente poderia ser curada. A depressão não é uma doença que nos deixa otimistas. Inclusive, ela causa muitos efeitos negativos em nós.
O Augusto explicou como a depressão age em nosso cérebro. Mas no dia dessa explicação, eu estava na consulta sozinha. Ou melhor: sem a minha mãe.
Ele foi bem paciente, assim como no início, e disse que minha mudança de humor tem a ver com a doença. Quando eu disse a ele que eu estava perdendo a memória em r*****o a algumas situações do meu dia a dia, como: assuntos que eu iniciava e depois não sabia mais o que estava falando; coisas que eu guardava e não sabia mais onde; lugares que eu ia e depois de dias não lembrava mais que havia ido, etc.
Ao descobrir que tudo isso era efeito da doença em meu cérebro, eu fiquei com pavor. Graças a Deus e à competência do psi Augusto, eu fui tranquilizada por ele e aquietei-me mais, ao saber que tinha como melhorar o meu estado.
O psi Augusto disse-me que há vários casos e níveis de depressão, e que cada paciente está no seu. Porém, não é possível diagnosticar tão rapidamente. Consultas são necessárias também para isso. A maioria dos casos, tem cura. Se o depressivo procura ajuda logo, ele tem mais chances de curar-se, e rapidamente.