Cap. 06 Urso

1585 Words
Urso narrando Depois que comi mais uma p u t a eu fui pra casa. Na verdade nada mais tá aliviando a minha mente, tá f o d a, vários b. o. e eu emocionado com uma menina de 17 anos, eu só posso estar ficando maluco de vez mesmo. Nem dormi direito, se pá eu fechei o olho por umas meia hora depois de uns 7 baseados. Acordei lembrando da primeira vez que vi a Kiara. Já tem uns 8 meses que eu observo ela, a Mabel nem tinha falecido ainda. Não era um olhar de maldade, mas sim de admiração. Ela foi passando de uma adolescente comum pra uma jovem cada vez mais bonita, vaidosa. Ela também começou a aprender mais alegria. Mas não foi só a beleza dela, o que me chamou atenção. E sim o jeitinho delicado mas firme dela, a forma como ela dá bom dia pros idosos quando ela passa na rua. Ao mesmo tempo que não rende pros moleques, pelo menos não rendia né. Eu me lembro dela beijando o maluco no baile e já fico bolado. A forma como ela para sorrindo pra interagir com as crianças, se abaixando pra ficar na altura deles, é ainda ainda mais bonito de se ver, ele até os molequinhos ficam derretidos na minha menina. Mas esse jeitinho delicado dela é demais pra mim, não combina comigo. Será que a bela e a fera pode ser real? Afastei todos esses pensamentos e levantei pra vida. Fui tomar um banho e fui cedo pra boca e hoje eu tô só o perigo. Eu bato um rádio pro Marrento e pro Ninja, quero os dois na boca cedo, f o d a s s e se dormiram ou não. 20 minutos depois que eu já tô na minha sala, já impaciente tamborilando os meus dedos sobre a mesa, eles passam pela porta. Urso: - Que demora do c a r a l h o! - digo irritado Marrento: - Pô nem dormi c a c e t e, só tomei um banho. – ele fala bolado se jogando na cadeira. Ninja: - Qual foi Urso, nem comendo p u t a pra c a r a l h o tu não melhora esse humor. Tá bom de tu chegar na novinha. - ele dá risada e eu olho feio pra ele Urso: - Não fala dela c a r a l h o! – digo irritado, tô tentando não pensar nela. Me estresso tanto que eles me olham surpresos - Eu quero saber do faturamento. E quero resolver as contas que não batem. Bora trabalhar. A gente senta e começa conferindo as cargas que saíram com os menor para o baile e o dinheiro que entrou, e as contas batem. Ninja: - O problema está nas bocas, vamos ter que conferir todos os livros, um por um. Urso: - Isso já era pra tu ter visto né Ninja, tá deixando passar as paradas. – digo bolado e ele coça a cabeça Marrento: - Vou mandar buscar todos os livros e junto os vapor que fica a frente de cada boca. Quem quer resolver essa p o r r a agora sou eu que eu quero uma folga nesse c a r a l h o. – ele diz estressado também No morro da Providência tem simplesmente 11 bocas espalhadas pelo morro. Então logo a minha sala tá lotada e eu já vejo alguns com o semblante bem nervosos. É hoje que a glock canta. Repassamos cada livro, um por um, fazendo as contas, às vezes duas, três vezes e vamos liberando os chefes de cada boca cuja as contas bateram. Urso: - Fininho, que que isso aqui? – pergunto bolado vendo uma divida de mais de 30 mil sendo paga parcelada – Viramos as casas bahia agora c a r a l h o? Tu fez carnê pra essa v a g a b u n d a? E quem c a r a l h o s é Cida, p o r r a? – eu me altero e o Marrento e o Ninja param os livros deles e vem ver o que está comigo. Ninja: - Que merda é essa fininho? – a gente olha pra ele, que já está suando frio, esperando uma resposta Fininho: - P o r r a, os menor comeu bola tá ligado, mas eu cobrei ela e ela tá tentando pagar. Marrento: - Tentando? Tu tá maluco? – ele questiona e eu tô quase explodindo de ódio e explodindo a cara dele na bala. Urso: - Vamos lá cobrar agora. – eu pego a minha arma – O resto vai esperar aqui. – digo sério e ninguém nem tem coragem de questionar. Sai da boca eu, Marrento, Ninja e Fininho pra ir na casa dessa maluca aí que eu não sei nem quem é. Aviso os vapor dá segurança que ninguém sai da minha sala até eu voltar e eles concordam. A gente sobe nas motos e o fininho vai na frente pra mostrar onde é. Quando ele para em frente a uma casa pintada de amarela eu fico sem acreditar. É a casa da minha menina. Agora quem p o r r a é essa Cida na vida da Kiara? Eu só vejo ela circular sozinha e nunca pensei nessa parte de família. O Marrento me olha meio pá, mas não tenho o que fazer, se eu deixar assim e isso cair na boca do povo todo mundo vai achar que pode encher o c u de droga e não pagar. Meto o pé no portão e entro na casa seguido dos caras. Encontro a véia, que até que não é véia não, sentada no sofá com uma carreirinha de pó num cartão de banco. Ela se assusta e parece congelar no lugar. Dou só um tapa na mão dela fazendo voar tudo e num estalo eu me lembro da Kiara. Urso: - Tá sozinha? – pergunto grosso Cida: - To.. tô sozinha. – ela gagueja um pouco, nervosa Urso: - Tu tá com noção da tua dívida? – eu encaro ela que olha pro Fininho, outro que tá tremendo Cida: - Eu.. eu.. eu to pagando.. - diz pálida igual papel Marrento: - E esse pó aí tu pegou quando? Quem tá te vendendo fiado tanto assim? Fininho: - Pô patrão.. - esse só falta se borrar todo, filho da p u t a Urso: - Cala a boca p o r r a, o que é teu tá guardado. – ele engole seco Cida: - Eu tenho um acordo com o fininho, pra pagar aos poucos. – ela fala tomando coragem sem olhar para ele, e algumas coisas passam pela minha cabeça me deixando mais nervoso e eu saco a Glock fazendo todo mundo arregalar o olho. Se for bagulho envolvendo a Kiara eu passo os dois aqui agora com uma bala bem no meio da testa dos dois. Urso: - Então canta passarinho, qual é a p o r r a desse acordo? – pergunto nervoso, apertando a arma na minha mão Cida: - Eu tô pagando uma parte com dinheiro aos poucos, e uma parte eu fico com ele e ele põe o dinheiro lá. – ela diz olhando pro chão Marrento: - C a r a l h o Fininho. – o Fininho n e g a com a cabeça Urso: - Sabe qual é o problema dona? – ela n e g a com a cabeça – É que eu não aceito esse tipo de acordo. Não dá pra pagar d r o g a com a b u c e t a não. Entendeu? – ela me olha amedrontada – Tu.. – eu aponto a arma pra cara do Fininho – Tu sabe que tu tá no erro. – ele engole seco – Ninja, pode mandar pra salinha, manda quebrar os dois braços e as duas pernas. E já te aviso, na próxima que tu deixar passar um bagulho desses tu vai pro desenrolo junto. – os dois engole seco, mas o Ninja olha o Fininho p u t o Ninja: - Pode deixar que eu mesmo vou cobrar. – ele diz sério e sai empurrando o Fininho porta a fora. Urso: - Problema de vocês. Agora tu! – eu me viro pra véia de novo – Se vira, eu quero a minha grana. Cida: - Mas eu não tenho esse dinheiro todo. Alias, eu não tenho dinheiro nenhum. – ela arregala os olhos desesperada Urso: - Se vira. Ainda vou te dar um boi, vou te dar uma semana. – digo apontando o dedo na cara dela – E não tenta nenhuma gracinha que eu vou estar de olho em tu. Saio sem olhar pra trás, na rua a vizinhança todinha pra fora olhando, bando de curioso. Marrento: - Vocês não tem nada pra fazer não? As ONGs do morro com certeza estão precisando de voluntários. – ele se adianta porque sabe que se eu abrir a minha boca, eu não vou ser tão sucinto assim. Marrento e eu subimos nas nossas motos e voltamos para a boca pra dar continuidade no nosso trabalho. Passo pela Kiara com a Julia quase no início da rua dela. Olho pra ela de relance que olha pro lado contrário quando me vê, me fazendo querer dar risada, o que não faz parte do meu humor normal. Essa mexe comigo de um jeito, e eu ainda nem entendi o porquê.
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