Me juntei aos irmãos Winchesters a alguns anos atrás, e desde momento que meus olhos encontraram aquele maldito homem loiro de olhos verdes, eu me apaixonei. Mas como não sou uma pessoa que fala sobre os sentimentos, nunca, eu preferi esconder até a minha morte. Pra me ajudar a encobrir isso, eu sempre tratei ele com desdém. Um ódio. Como aqueles casos de garotos que puxam as tranças das meninas por que gostam delas. Nesse caso, eu puxava as trancinhas de dean Winchester.
Eu e Sammy estávamos no hotel, pesquisando mais sobre o caso.
- achou alguma coisa interessante? - perguntei pra Sammy.
- sim... Olha aqui... - ele virou a tela do computador pra mim.
- bruxa. SABIA! - comemorei e Sam me olhou com aquele julgamento silencioso. - quer dizer, que droga uma bruxa! - fingi estar chocada.
- você é ridícula! - ele falou virando o computador pra si.
- falando em ridículo, onde está seu irmão? - perguntei me fazendo de desentendida.
- saiu com aquela moça que estava no enterro da última vítima. - ele me respondeu sorrindo de lado. - por que?
- os pássaros estão cantando... O dia está bom... Eu estou de bom humor, então estranhei que ele não estivesse aqui! - respondi. - aquela moça loira siliconada? Ele tem um tipo específico né?!
- sim! Com certeza! - Sam riu.
- acho que preciso de ar... Vou dar uma volta na rua... Quer alguma coisa?
- não... Tô de boa. - Sam falou encarando o computador.
Sair daquele quarto de hotel era o que eu queria, mas queria mais tirar aquele maldito macho da cabeça! Por que eu tinha que me apaixonar por ele?! Ele é o tipo de cara que sempre me irritou! Hétero chato. Eu precisava ficar com alguém e esquecer tudo isso. Isso sim era uma boa ideia!
Caminhava em passos largos com as mãos na jaqueta de couro e cabeça baixa. Tentando tirar aquele maldito macho da cabeça. Até que senti como se alguém me empurrasse.
- EI! OLHA POR... - olhei pra baixo e vi um labrador grande, com pelos dourados e olhos verdes sentado no chão me olhando. - o que? - ele pulou em mim de novo, me empurrando um pouco. - foi você que me empurrou coisa linda? - falei me abaixando ficando na altura do cachorro. - sabe, normalmente eu meteria o pé na b***a do macho que tocasse na minha b***a, mas por você... Eu abro uma exceção. - fiz carinho no cachorro e voltei a andar.
Um latido alto me chamou a atenção.
- que foi garoto?! - perguntei me aproximando dele de novo. - cadê seus donos? - o cachorro latiu. - você não tem? - ele latiu de novo. - eu não falo cachorres, então... Vamos fazer assim, deus não acredito que cheguei nesse nível de carência, falando com um cachorro! Mas tudo bem. Vamos ver se você é esperto. Late uma vez pra sim, e duas pra não. Okay? Entendeu? - o cachorro latiu uma vez. - sim? Isso foi um sim? - ele latiu de novo. - caralho... Isso é meio assustador. Mas okay. Você tem donos? - o labrador latiu duas vezes.- não? Okay. Quer me acompanhar num passeio? - ele latiu uma vez. - eu preciso te dar um nome... PUDIM! você tem cara de pudim! - o cachorro latiu duas vezes. - não gostou? Que pena pudim, por que esse é seu nome agora! - falei rindo, passando a mão na cabeça dele.
Comecei a andar com o pudim, ele é muito inteligente, tipo, muito mesmo. Num nível assustador. Sentamos num parque, olhando as árvores.
- sabe pudim... Você me lembra alguém... Mas não consigo pensar em quem... - falei fazendo carinho no cachorro. - você é um cachorro muito bonito e inteligente... Daria um ótimo cachorro de propaganda, já pensou em seguir essa carreira? Claro que não, você é um cachorro. - ele latiu duas vezes. - que foi amigão? Está com fome? Vem... Vamos voltar pro hotel, Sam deve ter comida lá... - me levantei e comecei a andar em direção ao hotel, junto com o pudim. - Sam é um dos meus amigos... Ele é legal. Vai gostar dele. Ele é inteligente também. Tem os cabelos tão macios como seus pelos! - brinquei fazendo o cachorro abria a boca colocando a língua pra fora. - isso é um sorriso? - ele latiu uma vez e eu sorri de volta.
Cheguei no hotel e fui direto pro quarto de Sammy.
- sammy! Voltei! - abri a porta e o cachorro pulou na cama de Dean. - ué... O rançoso não voltou ainda?!
- rançoso? - Sam se virou pra mim. - isso é uma cachorro na cama do Dean?!
- esse é o pudim! Meu filho! - falei apresentando o dog. Me sentei ao lado dele da cama e comecei a beijar o cachorro.
- filho?
- sim! Filho! Algum problema Samuel? - falei olhando pra ele.
- nope... Fique a vontade. Mas sabe que Dean não vai deixar o pudim voltar com a gente né?!
- vai sim! Ele é chato mas vai gostar do pudim! Né meu filho? - falei com voz de neném com o cachorro, que lambia minha cara.
- chato é? Já foi rançoso e ridículo só hoje! Tô começando a achar que está apaixonada por ele... - Sam falou se apoiando na mesa, me olhando com um sorriso b***a.
- o que?! Não! Definitivamente não! - falei da maneira mais falsa que existe.
- AI MEU DEUS VOCE ESTA!!! - ele apontou pra mim.
- NAO É VOCE QUE ESTA! - parei e pensei no que eu tinha falado. - VAI SE FUDER SAMUEL! - sai do quarto dele batendo do pé. Pudim me seguiu até meu quarto.
- eu não acredito nisso!!! AAAAAAH - falei me deitando na cama. Pudim pulou e ficou me olhando com o rosto virado pro lado, como se tentasse entender a situação. - você promete que não vai me julgar? - falei olhando pro cachorro. - claro que não, afinal você lambe seu próprio cu, quem é você pra me julgar! - o cachorro latiu se deitando ao meu lado. - tudo bem! Eu confesso. Eu gosto do Dean. Mas isso nunca vai acontecer! Primeiro por que eu nunca vou admitir isso pra ele. E segundo que mesmo, num mundo onde eu tivesse tal coragem, ele me rejeitaria! Afinal eu sou só eu... E ele sai com mulheres com cintura fina, peitões seliconados... E... Bundinha sem marcas! E eu... Sou toda errada! - o dog latiu encostando seu rosto no meu peito. - não tenha dó de mim! Eu... Tô bem assim. - ele latiu de novo. - isso não colou nem com você? Deus!!! Eu preciso de um banho! Preciso tirar esses pensamentos da minha cabeça! Preciso tirar esse macho da minha cabeça!!! - me levantei e comecei a tirar a roupa. - pudim, atenção, você é o primeiro cara que me vê pelada, então pega leve! - falei tirando a roupa, ficando totalmente pelada na frente do cachorro. - eu tô ficando maluca. É isso! Eu tô maluca! Tô conversando com um cachorro sobre um macho hetero babaca! Eu podia sei lá, ter me apaixonado por uma modelo de biquíni, ou alguma menina no bar, MAS NAO! O MALDITO TINHA QUE ME FAZER APAIXONAR POR ELE! - falei entrando no banheiro.
Liguei o chuveiro e comecei a massagear meu cabelo com o shampoo, até que abri meus olhos e vi os pelos dourados do pudim do lado de fora da cortina do banheiro.
- oi pudim! Quer tomar banho comigo? - falei brincando, mas o cachorro entrou dentro do chuveiro comigo. - okay então né... Se você quer. Vem, vamos passar o shampoo nesses seus pelos! - comecei a dar banho no cachorro. - você é tão... Não sei... Sinto que já te conheço. - falei olhando pra ele quando tirava a espuma do cabelo. - isso é tão estranho. - confessei. - eu tô tomando banho com um cachorro depois de desabafar sobre Dean Winchester. O que está acontecendo comigo?! - cobri meu rosto sentindo vergonha de mim mesma. Logo senti as patas do cachorro na minha barriga, tirei minhas mãos do rosto e fiz carinho nele. - você é um bom menino né? - ele latiu.
Terminamos o banho e eu sequei ele primeiro, óbvio. Graças a Deus pelos secadores nos hotéis! Depois deixei ele sair pelo quarto enquanto eu me secava. Sai do banho e ele estava na minha cama, olhando pra mim enquanto eu saia do banheiro.
- que foi pudim? Até parece que nunca viu uma mulher pelada! - dei rindo, o cachorro abaixou o rosto e se deitou.
Peguei meu "pijama" que tinha roubado do Dean. Fazer o que. Ele da mole com as roupas dele. Eu peguei a camiseta dele ué. Nada de mais.
- antes que você comesse a me julgar, sim é dele, não eu não vou devolver. - falei pro pudim, que me observava. - agora vai pra lá que eu tô com sono. - empurrei o dog pra que eu pudesse deitar na cama. Ele se aconchegou e se deitou no meu peito. - pudim... Obrigada por me ouvir sem me julgar! - falei fazendo carinho nos pelos dele. Ele ergueu o rosto e começou a me lamber. - tudo bem! Eu também te amo!
Não percebi quando foi que eu dormi, mas foi rápido disso eu sei.
Acordei com as lambidas do pudim no meu rosto.
- aí pudim me deixa dormir... Só mais um pouco... - falei manhosa virando pro lado.
Pudim, não satisfeito, deitou por cima de mim, me esmagando com o peso dele. - pudim!!! Tá bom! Eu levanto! Deus! Quando me falavam que filhos não te deixam dormir é verdade! Eu ein! - segui reclamando até o banheiro onde tomei um banho, escovei os dentes e os cabelos. Troquei de roupa, colocando uma blusa branca, com minha jaqueta preta com um jeans simples. - pronto pudim! Já acordei! Agora vamos encher o saco dos meninos! - abri a porta e o pudim correu até a porta do quarto dos meninos. - bom dia sammy! Bom dia rançoso! - falei entrando no quarto. - ué o rançoso não voltou ainda? - olhei pra cama vazia de Dean.
- rançoso? Ou amor da sua vida? - Sam me zoou olhando no computador.
- hahaha muito engraçado você, olha só tô até chorando de rir! - falei sarcasticamente.
- está de m*l humor por que não viu ele? - Sammy continuou na zoação.
- estou de m*l humor, por um certo cachorro me acordou! - falei apontando pro pudim. Que latiu como se me respondesse. - ele já não devia estar de volta?
- ele sabe se cuidar! Não se preocupa. Vamos tomar café?
- VAMOS! - falei andando até a porta, o pudim obviamente seguiu a gente.
Estamos na frente de um restaurante simples, quando o pudim deu a louça e saiu correndo atrás de uma mulher do outro lado da rua.
- PUDIM!!! - gritei correndo atrás dele. - moça me desculpe não sei o que deu nele... Ei... Eu te conheço! - era a mesma mulher que Dean saiu ontem.
- mantenha esse cachorro controlado! - ela falou irritada.
- ei calma aí! Você é aquela mulher do enterro! - falei pra moça que fechou a cara pra mim e pro pudim, que latiu avançando nela.
- era m*l educado como homem e continua sendo como cachorro! - ela falou me fazendo ficar confusa. - e você... Corre atrás dele até quando ele é um cachorro... Eu devia transformar você num... Rato? Não... Talvez numa baratinha burra!
- você... AI MEU DEUS! - gritei apontando a arma pra ela.
Num movimento com os dedos, pudim caiu no chão chorando.
- PUDIM! Quer dizer... Dean?! - corri e acudi o cachorro.
A mulher fugiu e logo depois eu e Sam voltamos pro hotel.
- EU NAO ACREDITO QUE ELE É O PUDIM! - falei me jogando na cama, pudim/ Dean pulou ficando parado me olhando, se sentando no meu peito. - SAI FORA! - me levantei e encarei Sam que segurava o riso. - TENHO CARA DE PALHAÇA?! VAI FAZER ALGUMA COISA?!
- calma! Só temos que pegar ela. Que sabemos quem é, já fica mais fácil! - Sam falou mexendo no computador.
- meu deus... Eu... Eu fiquei pelada na frente do pudim... Quer dizer Dean... - falei colocando o rosto entre minhas mãos. Dean ficou me olhando como um cãozinho, literalmente. - você para! Eu tô bem brava agora! Preciso matar alguma coisa! Me fala que já achou ela!
- achei... Mas você precisa ficar aqui... Pra cuidar do pudim... Dean.
- ah não sammy! Eu vou e você fica! Afinal o irmão é seu!
- não é uma negociação! Você fica! Eu vou. Cuida do Dean!
- SAMUEL SEU... FILHO... AAAAGH! - gritei socando a porta que Sam tinha fechado alguns segundos antes. - você fica... Longe de mim! - falei apontando pro Dean que estava deitado na cama. Ele choramingou e latiu. - bem vem Winchester! Você... AGH! mas que merda! Vou ter que fugir pro México depois dessa merda toda! - Dean latiu. - não me interrompa! Eu... Você... AAAAGH COMO VOCE PODE FAZER ISSO!? VOCÊ ME VIU PELADA! ME OUVIU DIZER TODAS AQUELAS MERDAS DEAN WINCHESTER VOCÊ TA FUDIDO COMIGO! e agora eu tô gritando com um cachorro! Ótimo! - falei me jogando na cama do Dean, que estava vazia. Ele chegou e se aconchegou do meu lado, tentando lamber meu rosto. - não... Agora isso... Não! - falei virando o rosto, mas ouvi ele chorar. - vai chorar?! Sério Winchester?! - ele chorou de novo. - você... Eu vou deixar, só por que você é um cachorro fofinho! Mas se você falar qualquer coisa... Eu juro que arranco seu saco! - ele voltou a me lamber e se aconchegou no meu peito. - eu não acredito nisso... Dean Winchester está dormindo no meu peito. Eu... Desisto dessa merda. - falei me virando pro lado e começando a tirar um cochilo.
Comecei a sentir um peso maior no meu corpo, me fazendo ficar até sem ar. - pudim... Vai meu pra lá! - falei passando a mão no que antes era pra ser pelo de cachorro, agora era pele. - DEAN?! - gritei e abri meus olhos, vendo Dean Winchester agarrado na minha cintura, pelado. - DEAN ACORDA! - chacoalhei seu corpo, mas nada.
- me deixa aproveitar isso mais um pouco... Eu... TO FALANDO?! - ele abriu os olhos e olhou no meu rosto.
- SIM VOCE ESTÁ E ESTA PELADO! ENTAO SAI DE CIMA! - falei empurrando ele pro lado. Mas ele me apertou mais.
- vamos ficar só mais um pouco. Você vai fugir por mexico mesmo. - ele falou apoiando sua cabeça no meu peito de novo.
- DEAN WINCHESTER EU JURO QUE SE VOCE NAO SAIR DE CIMA DE MIM AGORA EU VOU... - ele me olhou e eu me perdi no que falava. - VAI SE FUDER!
Dean sorriu e foi se aproximando lentamente do meu rosto.
- você tá se aproximando muito Winchester. - falei olhando em seus olhos.
- eu sei... - ele falou e encostou nossos narizes. - sabe a pior parte de ser um cachorro?
- você ser um cachorro? - falei olhando naquelas orbes verdes dele.
- eu ouvir você falando que me amava e não poder responder que também te amo. - ele respondeu levando uma mão até meu rosto, fazendo carinho na minha bochecha.
- eu não falei que amava você... Falei... - fui interrompida por um beijo do Winchester.
- DEAN?! DEU CERTO! - Sam abriu a porta, vendo Dean pelado me beijando.
- vai me deixar sair agora? - falei olhando pra Dean.
- só mais uma coisa. - ele me beijou de novo. - não foge pro México.