Capítulo 28
Tudo estava saindo melhor que o esperado
Xavier Lancaster
Tudo tinha um motivo para estarmos exatamente aqui, neste restaurante. Nunca faço nada sem saber onde estou pisando. Onde estou me metendo. E hoje foi o dia em que meu plano começaria: o de acabar com o namoro de Paul e Daniela Marçal.
Fiquei sabendo que os pais de Paul almoçaram aqui com outra família importante do Reino Unido, os Scott. Brian, meu braço direito, sendo um ótimo advogado e acumulando outras funções, tem fontes confiáveis e úteis. Ele já havia começado a investigar a vida de Paul, um passo importante para meu plano, nada honesto.
Hoje eu queria saber mais dos pais do meu atual problema, queria saber o que a família de Paul buscava com uma família tão influente como os Scott. Se eu estivesse certo — o que era difícil não estar —, a família do meu único rival queria casar com Paul com a filha ilegítima da família Scott.
Nem todos na alta sociedade são totalmente honestos e não têm escândalos escondidos. Movido por essa informação, fiz questão de trazer Daniela Marçal comigo. Além disso, Pierre estava noivo e agora só fala em casamento e em sair com a noiva, então não havia chance de ele vir sozinho a uma reunião de negócios. Eu não teria paciência para ver um casal feliz na minha frente.
Foi fácil conseguir uma reserva para quatro. Meu sobrenome abre portas, e conhecer o chef também foi um bom caminho. Eu tinha tudo a meu favor e fiz acontecer.
— Xavier Lancaster! — Pierre nos encontrou com a noiva. O enorme anel de noivado gritava: “Nós vamos nos casar!”
Homens como Pierre, quando amam, amam de verdade e dão o mundo para suas amadas.
— Montenegro... — Cumprimento o casal e apresento Daniela Marçal, que estava visivelmente constrangida com a situação.
Tenho pegado pesado com ela, mas gosto de ver sua cara assustada, suas bochechas coradas e como ela quer me matar. Logo Pierre faz algumas de suas gracinhas, e as mulheres começam a conversar. O clima ficou pacífico. Quem visse de longe juraria que éramos dois casais almoçando em uma segunda-feira tranquila.
O almoço de negócios começou com um serviço impecável e discreto. O garçom, com movimentos precisos, apresentou o amuse-bouche aos convidados que chegaram mais tarde: uma delicada espuma de queijo de c***a com um toque de mel de lavanda e pimenta-preta, um prenúncio dos sabores complexos que viriam. Nossos pedidos anteriores também chegaram. Eu estava no horário; Pierre já não trabalhava, então para ele, tanto fazia.
Meu conhecido discutia os planos para o hotel, com a voz baixa e cheia de entusiasmo. Enquanto eu estava atento a Pierre, não deixava de ver Daniela olhando para um ponto específico no restaurante.
Para minha felicidade ser completa, a família de Paul havia chegado, e não apenas o pai e a mãe como eu pensava, mas também o namorado da minha estagiária. As coisas só melhoravam a cada segundo desde que decidi ir a esse restaurante.
A família Scott também estava presente. A filha ilegítima — já que a Sra. Scott não podia ter filhos, a menina era fruto de um deslize do marido. Claro, tudo abafado pelo dinheiro da família. Mas pessoas como eu nunca se contentam com a palavra deles. Pesquisei, porque achei estranho, e descobri que, em vez de ser adotada, a menina era, na verdade, fruto de uma traição. Não um ato de amor e adoção, como a mulher vivia se vangloriando na alta sociedade; a menina era apenas um deslize bem encoberta.
— Então, Daniela Marçal, certo? Esse homem também é um rabugento com você? — Minha estagiária, que ainda tentava entender a cena que se desenrolava à sua frente, se assusta e olha para meu convidado quase apavorado.
A semente da desconfiança já estava plantada, só precisava germinar. Daniela queria saber o que acontecia na outra mesa, e até eu estava curioso.
— Não... — Ela diz, sem graça. — Ele é exigente, mas não rabugento. — Pierre ri alto.
— Mentira! Eu nunca vi esse homem rir, mon cher (minha querida).
Pierre era um francês metido a simpático.
— Eu acredito que ele deve ser um dos homens mais insuportáveis com quem alguém poderia trabalhar na vida. — Daniela apenas ri.
— Deixe minha secretária em paz, sim? Vamos falar sobre me vender aquele mausoléu que você chama de hotel. — Pierre ri alto novamente. Ele era escandaloso, como todo homem que não tinha mais nada a perder na vida.
Enquanto isso, Daniela não tirava os olhos de Paul e sua família.
— Por que quer comprá-lo? Todas as vezes que pergunto, você nunca me convence a vender. Suas motivações ainda não me fizeram abrir mão daquele lugar. — Aceito o desafio.
— Porque acredito que sua futura esposa vai querer viver ao seu lado, viver intensamente o amor que ambos sentem. Ela vai querer viajar, fazer compras com você, e não vê-lo trabalhando na reforma daquele lugar. Você sabe que isso vai exigir tempo, dinheiro e recursos. Eu posso facilitar sua vida, posso fazer daquele lugar grande novamente. E só me vender, em homenagem à sua família, deixarei o mesmo nome. — Pierre estava balançado, mas fazia anos que ele me negava essa compra.
Aquela negociação se tornou algo a mais, era como se Pierre tivesse um jeito de me acessar.
— O que a senhorita Daniela acha? Acha que seu chefe fará um bom trabalho com o hotel que era da minha família? — Minha estagiária olha para mim e depois para meu possível vendedor de um grande hotel.
— Acredito que o Senhor Lancaster é o melhor para fazer daquele lugar, cheio de história e nostalgia, um dos mais procurados e reverenciados hotéis do sul da França. O Senhor Lancaster é um especialista nessa área e saberá preservar a história, ao mesmo tempo em que deixará o hotel novo para que seus novos hóspedes possam escrever suas próprias experiências. — Olho para Daniela, que estava bem abalada, mas era profissional mesmo quando visivelmente perturbada.
— Você tem sorte de ter uma estagiária tão convicta de sua capacidade, Xavier. — Não consigo esconder meu orgulho.
— Daniela Marçal é um diamante bruto. Estamos lapidando para ser a melhor em breve. — A estagiária ouvia atentamente, com os olhos brilhando de admiração e determinação.
Vejo o exato momento em que Paul nos viu. Seus olhos eram uma mistura de incredulidade e medo. Daniela acompanhou meu olhar, e a decepção foi o que mais me atingiu, mesmo que eu não me importasse com nada daquilo. Eu só queria separar os dois para me casar com ela. Precisava de Daniela aqui, mesmo que não dissesse isso em voz alta.
Pierre conversava baixo com a noiva, tentando me vender no hotel.
— Você está bem? — Pergunto, apenas para perguntar, sabendo que ela estava destruída.
— Melhor do que nunca... — Ela diz, em tom de deboche. — Você tinha razão, Paul era um i****a que eu não conhecia.
Acompanhávamos as famílias reunidas. Todos estavam animados, exceto o jovem casal, que foi colocado lado a lado. Escondo minha alegria de começar a acabar com a imagem de Paul. Era o começo do seu fim.
Os pratos eram servidos. Daniela não tirava os olhos da mesa distante. O celular dela vibrava muito, mas Pierre estava tão animado que não ouvia. A conversa fluía tão bem quanto o vinho. O almoço saiu melhor do que o esperado.
— Daniela Marçal, você me convenceu a vender o hotel para seu chefe. Nunca vi ninguém defender os projetos de Xavier como você fez agora. — Daniela ficou feliz pela primeira vez depois que Paul chegou ao restaurante.
— Eu apenas falei a verdade... — Seguro a mão dela.
— Você é boa em convencer as pessoas. — Daniela fica sem graça.
Nunca tive tamanha liberdade, mas aproveitaria cada brecha.
— Vamos assinar os papéis? Sei que você trouxe algo que me agradará, uma proposta à altura do meu sobrenome.
— Vou deixar os números para você. Sei que vai gostar. Quando estiver pronto, pode ir ao meu escritório para assinar. — Pierre ergueu a xícara, sorrindo para nós. — Ao nosso futuro de vocês, e ao meu futuro com o amor da minha vida. — Ele beija a mão da noiva, que parecia estar feliz.
— Aos nossos futuros, então... — Digo, bebendo meu café e olhando para Daniela, que tinha seus pensamentos distantes, na mesa onde estavam seu noivo e a família dele.
Ficou combinado que Pierre finalizaria a venda em meu escritório dali a dois dias. Daniela me ajudou, mas eu ainda não lhe daria liberdade. Eu precisava de sua submissão total.
Pierre e sua noiva vão embora. Daniela Marçal pede para ir ao banheiro e não deixa de ver Paul passar correndo na mesma direção, dando uma desculpa qualquer às duas famílias.
— Vamos começar a festa... — Digo, rindo como nunca, e vou em direção ao casal que, a esta hora, deveria estar brigando.