Capítulo 12

1244 Words
Nas mãos do CEO: Uma mãe para a minha filha Capítulo 12 Uma Noite na Mansão Daniela Marçal Olivia me mostrou seu quarto. Era grande, lindo e, de fato, parecia ter sido planejado com muito carinho para ela. Cada detalhe, pensado minuciosamente para a querida e amada criança. O quarto, todo rosa, tinha tudo que uma princesa precisa para sobreviver. Era até cômico pensar assim, mas o lugar era tão perfeito que chegava a ser inacreditável. Mais do que coisas luxuosas e ornamentadas, o quarto era um espaço para Olivia brincar, se divertir e dormir. Tudo feito com o maior carinho e pensando exclusivamente no bem-estar dela. Era um lugar para ela sonhar, usar a imaginação e viver de forma doce a sua infância. Gosto de pensar que era um castelo para uma verdadeira princesa. — Tia, você pode dormir aqui? — Olho para Olivia sem graça. A menina tirou o dia para me deixar sem jeito. — Porque é muito bom ter você por perto, tia Dani. Parece que tenho uma mamãe. Ah, meu coração não aguenta! Como uma criança pode ser tão doce assim? Ela já tinha tomado banho e nós tínhamos jantado em um restaurante italiano, então ela não estava com fome. Eu contei histórias, vi todas as bonecas de princesas da Disney que ela tinha, e agora era a hora de dar um beijinho de boa noite e ir para casa. O problema é que Olivia sempre encontrava um jeito de me quebrar, de me colocar em situações difíceis de resolver. Como eu poderia negar um pedido desses a ela? Como dizer que eu não era a mãe dela, mas que a amava muito? Não que eu não quisesse ser a mãe dela. Em um único dia, eu já estava boba por essa criança, mas a questão era como o pai dela veria a situação. Xavier poderia pensar em várias coisas erradas sobre mim, achar que eu estava usando a filha dele para conseguir favores, ou até algo mais profundo. Sendo que minha única intenção era ser legal e dar carinho para a Olivia. Tenho medo de como essa aproximação pode soar para ele, já que Xavier não deixa qualquer pessoa se aproximar da menina. Eu não podia quebrar o voto de confiança velado que ele depositou em mim. — Eu não tenho roupa aqui, Olivia — tento encontrar uma solução prática e que não fosse de todo mentira. — Fica para a próxima vez, tá? Ela, que já estava quase dormindo, se levanta de repente e se agarra em mim. Nada com a Olivia é fácil, assim como com o pai dela. — Não vai, tia Dani, é tão bom ter você por perto... Eu a abraço com todo o carinho do mundo. Olivia precisava de uma mãe urgentemente! Uma pessoa que se dedicasse a ela, que supriria as suas necessidades e desse o amor que ela merecia. Essa menina de apenas quatro anos já tinha vivido tanta coisa sem uma figura materna. Era demais para o meu coração, que só queria colocar ela em um pote e carregar a menina para cima e para baixo. — Ah, meu amor, eu fico sim, a tia vai ficar... — Fico ali, segurando-a em meus braços até sentir que, finalmente, Olivia dormiu profundamente. Eu estava bem ferrada. Não sabia o que fazer com esse sentimento de proteção e amor que estava crescendo em mim. Não podia me apegar a Olivia, afinal, não tinha nada com o pai dela. Além do mais, seria estranho eu querer ser a mãe dela e me meter na rotina dos dois. Nossa, do que eu estou falando? Estou cogitando ser a mãe que a Olivia precisa? Respiro fundo. Era mais uma questão a ser resolvida. Não podia continuar alimentando algo que poderia se perder rapidamente e fazer as duas sofrerem depois. Lembro-me da promessa. Xavier disse que Olivia leva essa história a sério, e eu não posso quebrar a minha palavra. Como eu poderia ir embora se a menina me pediu para ficar? Sinto meu celular tocar no bolso da minha calça. Sei que é Paul, mas, sinceramente, não estou disposta a falar com ele hoje. Mesmo com todo o movimento do dia, me peguei pensando em como seria ter uma família, ter filhos, um marido e cuidar de todos. Senti um forte desejo de construir algo além da minha carreira, e também senti que Paul não era o cara que realizaria esse sonho comigo. Com muitos pensamentos tristes e contraditórios, percebi que ele nunca me proporcionaria isso que eu estava tendo com uma pessoa que nem me via com outros olhos. Na verdade, acho que estava apaixonada pelo conceito de família, de ter para quem ir depois de um dia cansativo de trabalho, mesmo sabendo que teria mais trabalho ao chegar em casa. Em um dia, me senti mais viva do que em quatro anos ao lado de alguém que era bom, cavalheiro, mas que nunca me deu as famosas “borboletas no estômago”. Acho que Paul foi a escolha certa na época, pois me sentia sozinha na cidade. No começo, Marina trabalhava muito para se sustentar, e eu passava minhas noites sozinha no apartamento. Paul entrou nesse momento em minha vida, em uma conversa casual no bar. Ele me contava coisas fofas que uma garota queria ouvir. Um beijo respeitoso, sem maiores intenções, uma companhia que me ouvia, não me julgava, mas sempre tinha algumas opiniões que na época não me soavam maldosas. No entanto, agora vejo que ele nunca esteve a todo tempo ao meu lado. Era como se eu também fosse o conforto dele, nada além de um passatempo. É forte falar isso, mas é a realidade: nós dois não conseguíamos ficar sozinhos, então ficávamos sozinhos juntos, porque ninguém estava de fato cem porcento naquela relação. Acho que eu me conformei com o jeito cortês de Paul, mas a questão é que ele não me basta mais. Eu sinto que mereço e quero mais. Eu o ignoro pela milésima vez. Preciso avisar Xavier que não consegui dizer "não" para a filha dele, que ele teria que aguentar até amanhã na sua mansão cara e grande. Por que eu prometi isso? Passo a mão na cabeça, me sentindo cansada. E o pior: não posso ir embora e saber que ela vai acordar amanhã e não me ver. Eu não conseguiria fazer isso com um ser tão pequeno e amoroso. Saio do quarto em busca do meu patrão. Xavier deve estar em seu escritório. Como eu sei disso? Porque eu o conheço bem até demais, por mais que isso seja assustador. Ando pela casa, seguindo o corredor. Ninguém me para, então continuo, morrendo de medo de levar uma bronca daquelas. A casa de Xavier esbanja luxo. A cada corredor que entro, me sinto mais pobre. Vejo a única porta meio aberta de um corredor que parecia ser algo além dos quartos. Com a cara e a coragem que ainda me restam, vou até lá e encontro o reduto do cavaleiro medieval. Xavier me lembrava de um guerreiro do Rei Arthur. Lancelot, ou Lançarote, foi um dos Cavaleiros da Távola Redonda na lenda do Rei Arthur. É comumente apresentado como o maior campeão do Rei Arthur, cujo caso de amor com a rainha Guinevere levou ao fim do reino Arturiano. Por que eu pensei nisso? Será que meu subconsciente acredita que Xavier vai acabar com o meu namoro com Paul? Preciso dormir urgentemente!
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