Capítulo 18

1391 Words
Capítulo 18 Xavier Lancaster Como a arte de dormir se tornou tão obsoleta na minha vida? Eu devo ter cochilado quando o sol começou a raiar no céu, na verdade, eu não descansei quase nada, estava muito mexido com tudo que me aconteceu na noite anterior. Como que um dia em família perfeito pode virar um tremendo desastre? Eu quase tinha beijado Daniela Marçal, nem eu sei explicar o que aconteceu comigo, mas na boca dela, aqueles lábios rosados me chamavam. E eu estava quase cedendo ao seu canto, mas a realidade me chamou de volta. Infelizmente eu tive que recuar, porque por mais que eu tenha ficado surpreso com a minha própria reação, não era hora e nem o momento de fazer tal ato. Não que depois de estar casado com a Daniela Marçal, eu vou beijar, não quero misturar as coisas, mas eu acho que o desejo carnal está começando a me atingir de uma forma negativa. Porque eu realmente senti muita vontade de beijar aquela mulher, eu achava Daniel muito linda, cheirosa e encantadora. No entanto, ela era minha estagiária, comprometida e nunca iria concordar com isso. Ainda tinha um detalhe que ela seria minha futura mulher, não que fossemos consumar o casamento, isso eu deixaria bem claro, mas porque eu precisava desse controle. Precisava saber que não iria machucar alguém tão importante para minha filha, porque esse é o propósito de tudo isso. Eu precisava da Daniela Marçal como mãe da minha filha, nada além disso. Quando eu pensei que voltaria dormir mais um pouco, pois repito, a noite foi bem complicada. Ouço passos apressados na porta do meu quarto, bastou uns segundos para minha cama ser invadida por um pequeno ser, a minha pequena já estava acordada e animada. — Bom dia, princesa! — Olívia pulava na minha cama, como se fosse pula-pula da casa de festa. — Bom dia, papai. Cadê a tia Dani? — Olívia não falava mais nada além da sua tia que ela arrumou. Olivia era tímida, quando o assunto era Daniela Marçal as coisas mudavam. — Ei, primeiro vamos parar de pular, sim? Você pode cair e se machucar… — Olívia se sentou na cama, fazendo um bico enorme, odiava ser contrariada. — Segundo, sua tia Dani está dormindo, então não podemos acordar ela. Dani é visita, e todas as visitas nós dois tratamos bem. Olívia murchou, mas eu tinha que ser um bom pai, e isso não significava fazer somente as vontades dela, significa orientar e corrigir quando necessário. - Tá bom papai... Fiquei pensando que agora ela deve estar morrendo de raiva de mim, e com razão. Eu não falo nada de concreto e ainda duvido dela. Eu conhecia aquela mulher há quatro anos, e ela nunca me deu motivos para achar tal absurdo. Mesmo que Paul tenha me dado motivos de sobra para acreditar que ele era um desgraçado, eu não deveria dizer que ela compactuava com isso. Daniela era inocente demais, ela não conhecia o Paul. Precisava separar eles porque o tempo não estava ao nosso favor. Realmente, eu não levava jeito com mulheres. Era por isso que estava sempre sozinho. — Vamos fazer café da manhã para a tia Daniela? — Achei interessante a ideia. Olívia me salvava sem nem saber. Ela tinha as melhores ideias. Um café da manhã seria a minha bandeira branca da paz estendida. Ajudei Olívia a escovar os dentes, arrumar se e pegar o seu urso favorito. Me arrumei enquanto ela via desenho na minha cama. Depois de prontos, fomos fazer o café da manhã. Não preciso dizer que a cozinha ficou um caos depois que o furacão Olívia passou, não é mesmo? Minha filha quis fazer o verdadeiro café da manhã: panquecas, bacon frito, ovos mexidos e um café reforçado. Frutas, bolos e uma deliciosa salada de frutas preencheram a mesa farta e rara em nossa casa. Não era por falta de recursos, era por falta de motivação. Geralmente, eu e Olívia tomávamos café no clube, depois passávamos a manhã brincando no parquinho ou na piscina. Era mais fácil, prático e Olívia gostava. Eram raras as exceções em que passávamos a manhã de domingo em casa, porque esse era o único dia em que eu me permitia relaxar e ficar focado cem porcento na minha filha. Já era tarde quando colocamos o último prato na mesa. Olívia estava ansiosíssima para ver a sua amiga, e eu queria uma oportunidade de me desculpar, mesmo que não me sentisse tão culpado por falar a verdade. Acreditando que Daniela ainda estava dormindo, ou sem jeito de me ver, fui até a porta do seu quarto. A chamei para tomar café, e não demorou muito para minha estagiária aparecer, fazer a alegria da minha pequena e me olhar com uma cara péssima. — Dormiu bem, princesa?! — Daniela falou, se sentando na mesa que Olívia havia montado, animada, com a minha ajuda. — Dormi sim, tia... — Olívia encheu a boca de salada de frutas. — Eu e o papai fizemos o café da manhã para a senhora, tem tudo para ficar linda como uma princesa. Daniela Marçal riu e tomou café, me ignorando do começo ao fim. Olívia ainda pediu para Daniela ajudá-la a arrumar algumas bonecas na brinquedoteca e fez minha estagiária jurar que voltaria outras vezes para passar o final de semana. Daniela estava claramente incomodada comigo, mas fez todas as vontades de Olívia, até dar a hora de ir. Daniela já estava arrumando um jeito de ir embora, orgulhosa do jeito que ela era, não duvidava que ela estivesse vendo um jeito de fugir sem me encarar. — Eu te levo para casa... — Olívia estava se arrumando para ficar com a Violeta. — Não precisa, vou pedir um Uber... — ela disse, pegando o celular. — Não precisa me tratar assim, Daniela. Eu já entendi que vacilei, estou tentando te pedir desculpas… — Daniela olhou para as escadas, por onde Olívia subiu para pegar as suas coisas. Daniela Marçal — Daniela… — Olhei para ele. — Sabe que, por um instante, eu tinha esquecido de quem você era, Xavier? Tinha me esquecido do homem arrogante, frio e calculista que você é. Tinha esquecido das noites desnecessárias que você me mandou ficar no escritório, de quando brigava comigo mesmo se eu tivesse feito algo que não era tão errado. Mas você fazia questão de gritar e dizer que eu era incompetente. Por uma fração de segundos, eu pensei que você era um cara legal, me iludi com uma tarde no shopping. Como eu pude ser tão boba, não é mesmo? Eu não conseguia olhar para a cara dele sem demonstrar minha mágoa. Trabalhei com ele por quatro anos, e Xavier já me disse coisas pesadas. Palavras que eram para me desanimar, mas eu me mantive firme e forte, mesmo que, por dentro, eu quisesse chorar na minha cama. Agora, dizer que outro homem não podia me amar, porque estava comigo somente para sexo… aquilo me magoou muito mais do que eu poderia ter imaginado. — Como a vida é filha da mãe, ela sempre traz de volta tudo que esquecemos por conveniência. Se estou na sua casa, é por causa da Olívia. Mas me trate como a sua estagiária, não como amiga ou confidente, porque você fala o que deseja, mas não sabe ouvir a outra parte. Saí atrás da Olívia. Eu precisava sair urgentemente daquele lugar. Era uma pena ter deixado um sábado tão maravilhoso para trás e um domingo estranho, mas essa era a minha realidade. Aquele que eu deixei em pé na sala de jantar era meu chefe, um homem que eu, convenientemente, esqueci que havia tornado a minha vida um verdadeiro inferno pessoal por quatro anos. E ele podia me contratar, mas ele quer que eu me humilhe, essa é verdade. Sei que fui muito dura com ele, mas era o que eu sentia, o que estava engasgado na minha garganta desde ontem. E eu não sou mulher de ficar aguentando as coisas caladas. Por uma fração de segundos, eu esqueci o chefe com quem eu trabalhava. Eu pensei que, após tudo aquilo que tínhamos passado, as coisas iriam ser melhores daqui para frente. Mas lá estava Xavier Lancaster, me lembrando quem eu realmente era na vida dele. A estagiária que não valia a sua confiança.
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