Escola

1312 Words
Escola Daniela Marçal Corremos apressados pelo corredor da escola, indo até a sala da diretora onde pediram que fossemos encaminhados. Fiquei muito chocada quando ouvi a Diretora falando que Olívia tinha caído e se machucado. E saber que ela estava chamando por mim também me deu aquele sentimento de proteção, que eu tinha que largar tudo para a socorrer a todo custo. Queria vir junto com Xavier, e graças a Deus ele não me mandou voltar para o trabalho. Não sei se iria conseguir cumprir a sua ordem no momento, estava angustiada somente em saber que ela precisava de gente e estávamos longe. Somos recebidos pela mulher que deve ter mais ou menos uns cinquenta anos de idade, cabelo preso, postura rígida, mas ela olhava para Xavier com um vislumbre de medo. Como se aquela postura somente fosse uma encenação, ela sabia exatamente com quem estava lidando. Era bom ela ter ciência mesmo. Xavier estava uma pilha de nervos, ficou muito quieto no caminho dentro do carro depois da ligação, era como se ele tivesse sido ferido, e não a filha. Ele entra na sala sem nem ser convidado, ainda bem que estão nos esperando depois da ligação. - O que aconteceu com a minha filha? -Curto e grosso como sempre. — Obrigado por vir, senhor Lancaster. - Indica a cadeira para me sentar. - Eu quero saber cadê a minha filha Senhora, não em me sentar e ouvir a desculpa esfarrapada que deve querer me dar. Até porque, não entendi o que aconteceu de fato com a minha menina. A mulher estava nervosa, mesmo fazendo de tudo para esconder. - Senhor Lancaster... – Xavier já iria acabar com aquela mulher que estava na teoria fazendo o seu trabalho. - Acredito que antes de qualquer coisa, temos a necessidade de ver a Olívia. – Digo com uma calma que não condizia com o meu estado de espírito. – Ela é a nosso preocupação número um! Não vai conseguir dizer o que deseja sem que falemos com a nossa menina. – Digo séria e a mulher me olha como se nascesse chifres em mim. - Me desculpa, mas quem é a Senhora? - Não há arrogância em sua voz, ela realmente estava curiosa. - Ela é a mãe da Olívia – Lancaster corta qualquer possibilidade de explicar a situação. – Nós dois queremos ver a nossa filha, ou vou ter que chamar a polícia para isso? – A mulher fica pálida. - Não... Eu queria explicar o ocorrido para o Senhor antes que veja a menina. – A mulher toma coragem. — Olívia pediu para ligar para a Tia Dani. – Ela me olha. — Porque? — Lancaster pergunta mais mexido do que queria admitir. A mulher pigarreia. — Olivia é muito tímida, mas ainda é uma criança inteligente... ela disse que queria mostrar que tem uma mamãe como todos os outros. — Passo a mão nos cabelos nervosa. A menina estava carente de mãe, ela gritava por atenção, mesmo sendo muito tímida. — O que aconteceu? O que foi falado para a minha filha? Porque ela caiu? – Lancaster engole seco, ele estava mexido. — Ela estava na hora do intervalo, brincando com alguns coleguinhas no trepa- trepa. Nisso começou uma conversa sobre o aniversário da Olivia, que todos foram convidados... – Fecho os olhos sentindo exatamente onde isso iria dar. – Um dos amiguinhos questionou Olivia sobre a situação da mãe dela, que ninguém nunca viu a mãe dela. Olivia respondeu que tinha a tia Dani. – Ela me olhou. – Os amiguinhos acharam que era mentira. A confusão começou, a professora ainda tentou correr para separar, mas Olivia se desequilibrou e caiu do brinquedo. — E quem falou? O que o amiguinho disse exatamente? - Lancaster era a ira em pessoa. - Xavier... – Ele me olha furioso. - Eles estão fazendo chacota da minha filha! – Diz com uma dor na voz que me faz fraquejar. - Eu faço de tudo para blindar a Olívia, mas sempre tem alguém querendo deixar a minha filha triste. Então alguém vai ter que pagar. - Calma, ela precisa de você firme. – Digo fazendo carinho em seu braço. – Mas um pai com braços protetores, e não querendo começar uma guerra na escola. - Digo séria. - Estou mexida também, mas vamos ajudar ela. Não vamos arrumar mais confusão, Okay? – Ele me olha, olha para a minha mão, e me toco que estávamos sendo íntimos demais. —Olivia está bem, a altura não era grande, mas ralou a testa, por isso chamei vocês. Quando perguntamos o que tinha acontecido ela falou que era nada, mas Olivia é muito fechada, está mais sociável com a chegada da Tia Dani. Ela deixou de fazer o curativo, mas ela precisa ir ao hospital fazer uma bateria de exames, se fosse a minha filha, eu levaria mesmo sabendo que está tudo bem. — Você vai falar com os pais da outra criança? — Vamos conversar sim, não toleramos esses tipos de comportamento. A criança passou dos limites ao constranger e duvidar da palavra de Olivia. — Entendo. — Eu somente digo isso. - Eu quero nomes, eu quero que essa criança seja expulsa! - Toco a mão do Xavier que me olha como uma criança que acabou de perder o doce. - Vamos deixar a diretora fazer o trabalho dela, sim? Se a situação não melhorar, nós resolvemos do nosso jeito, como adultos. – Xavier suspira. Ele ainda não estava contente, Xavier queria lágrimas e ruínas. - Vou ser bem claro, sim? Se esse aluno fizer isso novamente. Eu vou fazer da vida dos pais dele um verdadeiro inferno, eu sei que a criança é o espelho dos pais. Se essa criança tem esse tipo de pensamento, é porque os pais são tão limitados como ele. - Fico arrepiada somente em ouvir Xavier falar. - Pode falar para eles, não minimiza nenhuma das minhas palavras. Por que a senhora sabe que posso descobrir quem é com um telefonema, sim? Estou lhe dando um voto de confiança que tudo vai se resolver sem a minha influência. – A mulher fica pálida. - Mas nunca pense que eu vou ficar satisfeito somente com palavras, eu quero ações, quero que ele seja punido como deve ser. Ele tem que repensar sobre as suas ações. - Diz bravo, revoltado e com razão. - Sim...Sim Senhor, vou resolver tudo e pode ficar tranquilo. – Xavier fica satisfeito com o medo da mulher, não com as palavras. Com o medo que podia ser sentido de onde estávamos. — Podem chamar a Olívia? – A diretora concorda e ficamos ali alguns segundos vendo o caos que aquela situação poderia tomar. Minha garotinha chega encolhida, como se fosse o culpado de tudo que está acontecendo. — Como vai, meu amor? — Xavier pergunta vendo que ela estava tão triste. Ela não me responde, apenas se encolhe mais, ao lado da professora. - Ei, sabia que eu estou curiosa para ver esse seu band de princesas. – Aponto para a sua testa, e Olivia me olha pela primeira vez. Ela corre na minha direção e abraça as minhas pernas, minha vontade era de colocar ela na minha bolsa e sumir para ninguém machucar minha polvinha. Pego aquela criança no colo e a vontade de chorar vem com tudo. - Estou aqui e o papai também... – Digo beijando os cabelos com cheiro de morango. — Vamos para casa. —Xavier fala olhando para a filha como se ela fosse fugir a qualquer momento. Olivia se encolhe ainda mais em meus braços, mas aceita os carinhos do pai. Xavier pegou a minha mão, nos guiando até o carro. Não pude deixar de notar que ele estava longe de estar satisfeito, tenho pena da criança que fez Olivia chorar. Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰
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