Uma família "de verdade"

1029 Words
                                                                   - Lucy Wonderland's P.O.V. -       Acordo na manhã seguinte com muita dor de cabeça e com uma freira me acordando para me arrumar pois teríamos uma visita no orfanato, me levantei ainda me sentindo bem sonolenta e fui tomar um banho para me arrumar, escolho um vestido branco que o Jeff havia me dado e uma meia-calça preta, me vesti e me maquiei rapidinho, fiquei parecendo uma vampira…      Ah, tudo bem, tenho quase certeza que seja quem for que vem nos ver não vai se interessar em mim de qualquer forma... Pego meu ursinho e sento na ponta da cama para calçar minhas sapatilhas brancas e arrumar meu cabelo. Quando todos estão prontos vamos todos para fora e formamos uma fila na frente da madre superior, ela sorri para nós e diz um "se comportem" para nós antes que uma das freiras trouxesse um homem alto, de pele pálida, cabelos pretos e olhos azuis quase brancos, sua boca estava escondida em uma máscara hospitalar e ele usava um moletom branco e calças pretas, exatamente como o Jeff parecia ser no meu pesadelo…      Não, tenho certeza que não, foi só um pesadelo b***a eu não deveria imaginar o meu único amigo como um vilão, e se ele fez algum m*l para o tal de Liu, foi porque ele com certeza mereceu... E de qualquer forma, eu não vou ser escolhida mesmo…      A freira começa no início da fila apresentando cada uma das crianças, demora alguns minutos até chegar em mim já que a fila é organizada por idade, mas quando finalmente chega minha vez eu sorrio e tento parecer o mais fofinha que eu posso.      - Essa é a Lucy, ela está aqui desde que nasceu e tem dez aninhos - A freira diz sorrindo, juro que ela estava quase se jogando no colo dele - Sabe, ela é muito bem educada e adora bichinhos de pelúcia…      - O aniversário dela é dia 10 de agosto não é? - Ele pergunta sorrindo e discretamente me passa um caderninho - Não se preocupe, eu olhei no site do orfanato para ver as crianças e a achei uma gracinha, e melhor ainda, ela tem a idade perfeita para um pai solteiro…      - Ah, hah... Claro, claro, bem, vamos continuar…     Olho o caderninho de couro sem ousar criar muita esperança por causa do que o homem disse, é melhor assim, assim não tem como eu me decepcionar se ele decidir que não sou exatamente o que ele esperava…     Guardo o caderno no bolso do meu vestido e continuo com um sorriso enquanto a freira termina de apresentar as outras três crianças. Quando as apresentações acabam e finalmente nos deixam brincar eu pego meu ursinho e vou até o balanço esperando ser deixada sozinha, fecho meus olhos e começo a balançar devagarinho, só que logo um barulho no balanço chama minha atenção, o homem que viera nos ver tinha sentado ao meu lado no balanço.     - ... O que houve noite passada…     - Do quê o senhor está falando?     - ... Você... Não lembra?... Sou eu pequenina…     - Me lembro da sua voz mas... - Sorrio - Devo estar só confundindo.     - Hm... Bem, já que é assim... Meu nome é Jeff.     - Espera, é você mesmo?! - Eu dou um gritinho alegre - Faz tanto tempo que você não vem me ver eu achei que já tinha me esquecido!     - De jeito nenhum coisinha... Na verdade, eu vou morar com um amigo que tem experiência com crianças, e eu quero muito que você venha comigo, que tal?     - Claro!!     Pulo do balanço e dou alguns pulinhos em volta dele, m*l posso acreditar que realmente ouvi isso!! Ele me puxa para o colo dele  e me abraça, nós rimos juntos e ele me faz cócegas o que quase me faz cair do balanço. Logo ele me põe no chão e levanta também, brincamos um pouco no parquinho antes que ele tenha que ir falar com a madre superior, mas antes de sair ele pede para que eu leia o caderno, então vou para a minha cama e o abro na primeira folha:       "Dia 19 do mês de maio de 1998     Eu adoro meu aniversário, mas a pessoa nas fotos tem uma faixa cobrindo seu rosto, ainda não posso ver o que houve com o meu rosto, mamãe diz que é melhor se eu esperar a pele nova primeiro...     Ela me deu esse caderno por quê o psiquiatra disse que me faria bem manter um diário por quê as outras crianças podem me achar um pouco esquisito, mas eu não acho que elas vão achar tão estranho, não pode estar tão ruim..." É um diário... Viro a página curiosa, o que será que ele quer dizer com isso? Tem algumas manchas de sangue na folha…     "Dia 22 do mês de maio de 1998     Eu não entendo, por quê todos acharam que as outras crianças iriam me achar estranho?! Estou tão bonito mesmo depois de ser queimado vivo, eu sou indestrutível!     Não quero mais dormir, não quero parar de sorrir, nunca, nunca, nunca!! Mamãe e papai me levaram para casa e Liu nem me reconheceu de tão bonito que eu estou, ele parecia feliz em me ver, todos estavam felizes em me ver, até meus amigos estavam felizes em me ver mesmo tendo que vir bem de longe para me ver.     Estou feliz, feliz, feliz, feliz, nada mais me machuca, nada dói, corte minha pele, me abra por inteiro, eu não sinto dor, eu não sinto nada. Não sinto mais sono, mamãe e papai não entendem, eu não consigo dormir, eu não quero dormir, quero continuar me vendo no espelho, quero sorrir para sempre e nunca mais dormir, eu não me importo se tiver que sangrar para isso..." A partir desta parte as folhas estavam arrancadas, eram várias folhas que faltavam e isso me deixou curiosa, quem seria esse tal Liu? Por que as folhas foram arrancadas?... Essas perguntas tiveram que ficar para o dia seguinte já que já estava bem tarde e se eu quisesse ter um papai era melhor que eu me comporte direitinho...
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