Natalia narrando Assim que eu cruzo a porta do apartamento, algo dentro de mim acendeu. Uma sensação antiga, quase instintiva. O silêncio do ambiente, o jeito como MV fecho a porta atrás dele... tudo gritava armadilha. Eu caminho com calma até a sacada, os meus olhos analisando cada detalhe ao redor. Não demoro pra notar que os móveis eram quase cenográficos, como se tudo tivesse sido montado só pra aquele momento. Ao se aproximar do vidro, eu deixo que a luz refletisse meu rosto… mas não só isso. Ela sabia exatamente o que fazia. O vidro da sacada era limpo e bem polido. Um espelho perfeito. Com o olhar fixo no horizonte, eu esperava o movimento. E então eu vejo. — Aí está, seu desgraçado... No reflexo da janela, eu vejo claramente: MV parado atrás de mim, a mão se movendo devaga

