Tubarão narrando Eu estava na sala do Marreta ou melhor falando minha sala enquanto eu girava um copo de uísque entre. O líquido âmbar refletia os brilhos dos meus olhos. O morro estava inquieto desde a morte de Marreta, mas eu? Eu só via vantagem. Encostado agora na minha cadeira, eu solto um riso baixo, debochado. — Marreta morreu de burro — digo, sem um pingo de pena na voz. — Fico cego por causa da mãe do Vespa, esqueceu como o jogo funciona. Deu mole, pagou com a vida. Os homens ao meu redor trocaram olhares. Alguns sabiam que eu e Marreta tínhamos uma rivalidade, apesar da nossa atual parceria. — E quer saber? — Eu continuo erguendo o meu copo em um brinde solitário. — Melhor assim. Um problema a menos. Eu viro o uísque de uma vez e então jogo o copo no chão, estourando o vidr

