O ronco do motor do avião preenche a cabine, um lembrete constante de que tudo isso é real. Estou a caminho dos Estados Unidos, cruzando o céu em direção ao maior desafio da minha vida.
Ainda é difícil acreditar no que aconteceu. Há poucos dias, minha rotina era a mesma de sempre—trabalho, casa, uma vida normal. Então, o impossível aconteceu: ganhei na loteria. Em questão de segundos, passei de uma pessoa comum para milionária.
Poderia fazer qualquer coisa, comprar qualquer coisa… mas só um pensamento dominava minha mente.
Academia de Vampiros.
A saga que marcou minha vida, que sempre enxerguei como subestimada, merece uma segunda chance. Merece um filme digno. E agora, eu tenho os meios para fazer isso acontecer.
Seguro meu passaporte com força, como se precisasse de algo físico para me lembrar de que isso não é um sonho. Meu coração bate acelerado, não de medo, mas de excitação.
— Senhorita, deseja algo para beber? — a comissária de bordo me aborda com um sorriso educado.
— Água, por favor.
Enquanto bebo, pego meu celular e abro as anotações que revisei mil vezes antes de embarcar.
Meu primeiro compromisso em solo americano é com Richelle Mead. Consegui um encontro com ela para discutir a compra dos direitos autorais de Academia de Vampiros.
Sei que não será fácil convencê-la, mas estou preparada.
A adaptação precisa ser perfeita. Quero capturar a emoção, a ação, a profundidade dos personagens. Não posso falhar.
E há uma coisa que não abro mão: Dimitri Belikov será interpretado por Danila Kozlovsky. Ponto final.
Respiro fundo, sentindo a ansiedade misturada à adrenalina. Quando o avião começa a descer, olho pela janela e vejo a cidade se aproximando.
Meu destino está logo à frente. E eu não vou parar até fazer esse sonho se tornar realidade.
O vento gelado de Seattle bate contra meu rosto assim que saio do aeroporto. Inspiro fundo, sentindo o cheiro úmido da cidade, e me lembro do motivo de estar aqui. Não é turismo. Não é um capricho.
É Academia de Vampiros.
Meu carro já está me esperando. Entro no veículo e passo o endereço para o motorista. Richelle Mead aceitou se encontrar comigo em um café discreto no centro da cidade.
Foi difícil conseguir essa reunião, mas, depois de insistência e um advogado competente para intermediar o contato, ela concordou.
Minhas mãos suam levemente enquanto observo a cidade passar pela janela. Meu coração está acelerado, mas não de nervosismo, é empolgação. Pela primeira vez na vida, estou prestes a fazer algo realmente grande.
Quando o carro para, vejo o café aconchegante à minha frente. Respiro fundo e entro. Meus olhos percorrem o lugar até que encontro uma mulher de cabelos ruivos e expressão tranquila sentada em uma mesa no canto.
Richelle Mead.
Seguro a alça da minha bolsa com força e caminho até ela.
— Ariana? — ela me olha com curiosidade enquanto se levanta para me cumprimentar.
— Sim, sou eu. Muito obrigada por aceitar esse encontro.
Ela sorri educadamente e gesticula para que eu me sente. Assim que faço isso, um garçom se aproxima e pede nossos pedidos. Richelle pede um café preto.
Eu peço um chocolate quente. Preciso de algo reconfortante.
— Fiquei curiosa com a sua proposta — ela começa, me observando atentamente. — Meu agente me passou algumas informações, mas quero ouvir diretamente de você. O que exatamente pretende fazer com Academia de Vampiros?
É agora. Minha chance.
Me endireito na cadeira, olho nos olhos dela e respiro fundo antes de responder.
— Quero comprar os direitos autorais da saga para produzir uma adaptação cinematográfica fiel à história original. Sei que Academia de Vampiros já teve uma adaptação antes, mas acredito que o potencial do livro nunca foi realmente explorado da maneira correta.
Ela me encara por um momento, como se analisasse cada palavra que acabei de dizer.
— E o que garante que a sua versão será diferente?
Meus dedos deslizam pela borda da xícara. Essa pergunta, eu já esperava.
— Porque essa história significa muito para mim. Eu cresci com esses livros, me apaixonei por esses personagens. Eu não sou apenas alguém querendo lucrar com um filme. Eu quero que Academia de Vampiros receba a adaptação que merece. Quero que os fãs, antigos e novos, possam sentir o que senti quando li os livros pela primeira vez.
O olhar dela suaviza um pouco, mas ainda há hesitação.
— Suponhamos que eu aceite sua proposta. Você tem experiência com cinema?
— Não — admito sem hesitar. — Mas tenho os recursos e a determinação para reunir as pessoas certas. Diretores, roteiristas, produtores… Eu não vou fazer isso sozinha.
Ela se inclina para trás na cadeira, pensativa. O garçom chega com nossas bebidas, e há um momento de silêncio enquanto ela mexe o café.
— Eu preciso pensar sobre isso — Richelle diz, finalmente. — Mas devo admitir que sua paixão pela saga é algo que me impressiona.
Um sorriso surge no meu rosto.
— Pense com carinho. Eu realmente quero fazer isso acontecer.
Ela assente, ainda pensativa. Não é um “sim”, mas também não é um “não”. E, para mim, isso já é um começo.
...
Os dias seguintes são um verdadeiro teste para a minha paciência. Apesar de ter saído da reunião otimista, a espera por uma resposta me deixa inquieta.
A cada notificação no celular, meu coração dispara, mas até agora nada de Richelle Mead.
Estou hospedada em um hotel luxuoso no centro de Seattle, algo que nunca poderia ter feito antes de ganhar na loteria. Mas, por mais confortável que seja, minha mente está em outro lugar.
Preciso de uma resposta. Preciso saber se Academia de Vampiros será minha.
Na manhã do quarto dia, acordo com meu celular vibrando na mesa de cabeceira. Meus olhos ainda estão pesados de sono, mas assim que vejo o nome na tela, desperto na hora.
Richelle Mead.
Sento-me na cama e respiro fundo antes de atender.
— Alô?
— Bom dia, Ariana. Espero não estar ligando cedo demais.
— De forma alguma! — respondo rápido demais, mas quem se importa? — Alguma novidade?
Ela solta um pequeno riso do outro lado.
— Sim. Pensei bastante na sua proposta e conversei com meu agente. Para ser honesta, estava cética no início. Não é comum alguém simplesmente aparecer com a intenção de comprar os direitos de um livro e querer produzir um filme do zero.
Seguro a respiração, esperando pelo veredito.
— Mas, depois de avaliar todas as possibilidades, decidi que sim, estou disposta a vender os direitos de Academia de Vampiros para você.
O alívio e a empolgação batem ao mesmo tempo. Eu sabia que tinha feito uma boa proposta, mas ouvir isso dela é outra coisa.
— Meu Deus… Muito obrigada, Richelle! Você não vai se arrepender. Eu prometo.
— Espero que não — ela brinca, mas logo adota um tom mais sério. — Ainda há contratos para serem assinados, ajustes a serem feitos, mas podemos começar esse processo imediatamente. Seu advogado pode entrar em contato com o meu para formalizarmos tudo.
— Sim, claro! Vou providenciar isso agora mesmo.
— Ótimo. E, Ariana?
— Sim?
— Se você realmente conseguir fazer esse filme acontecer do jeito que imagina… acho que os fãs vão te agradecer por isso.
Um sorriso surge no meu rosto.
— Eu vou conseguir.
Assim que a ligação termina, eu pulo da cama e deixo escapar um grito animado.
É oficial.
Academia de Vampiros agora é minha.