Júlia Narrando Respirei fundo ouvindo a tia Nina falar da tal Drika, que parece que agora atende por Adriana. A mulher tem uma presença, isso eu não posso negar. Gostei da cara dela, mas tem alguma coisa ali, por trás daquele sorriso… um olhar triste, perdido, sei lá. Não gosto de ver esse tipo de olhar em ninguém. Lembro de quando conheci meu grandão, ele também tinha um olhar assim — de quem já viu demais, sentiu demais e engoliu seco muita coisa. A diferença é que o olhar dele mudava quando tava comigo. A rua já ia ficando mais estreita e familiar, e antes mesmo de eu perceber, tia Nina já tava com a chave do portão da Suelen na mão. O portão fez aquele barulho velho de ferrugem abrindo, e a gente entrou como quem nunca deixou de frequentar aquele cantinho. — Mulher! — Suellen aparec

