Júlia Narrando Subi sem nem saber pra onde tava indo. Tava cega de raiva, de dor, de tudo. Primeira porta que vi, entrei. Só quando fechei atrás de mim e o cheiro bateu que entendi: era o quarto dele. Aquele cheiro que grudou em mim desde a primeira vez que a gente se viu. Que me assombra, que me amarra. Meus pés me levaram até a cama e eu sentei, nos pés, com os braços apoiados no joelho e a mão na cabeça. Tentando entender como é que tudo virou isso aqui. A porta abriu... Ele entrou. Ficou me olhando, calado. Como se tivesse algo pra dizer, mas com medo de abrir a boca. — Tu não me deve explicação. A gente não tem nada. — falei sem tirar os olhos do chão. — Júlia... escuta, eu... — Não tem explicação. — cortei na lata, levantando o olhar devagar, fixo no dele. — Como é que eu se

