Tia Nina Narrando Acordei cedo, como de costume. Preparei o café da manhã com todo carinho, torcendo pra que hoje fosse diferente, que ela descesse, sentasse comigo à mesa, nem que fosse pra pegar no pão e largar depois. Coloquei a mesa devagar, cada gesto meu era uma oração silenciosa por um sinal dela. Esperei... esperei mais um pouco. Mas ela não desceu. O coração já sabia antes da cabeça entender. Subi devagar, pisando leve nos degraus, como quem carrega um mundo nas costas. A porta do quarto tava entreaberta, e o silêncio ali dentro gritou pra mim. Olhei a cama… tudo do jeitinho que deixei ontem. Intacto. Frio. Meu olhar correu pro banheiro. A água do chuveiro já caía fazia tempo demais. E foi aí que eu escutei… o choro. Baixinho, escondido, mas doído. Misturado com o som da águ

