Espoleta Narrando Na minha vida, já encarei muita parada sinistra. Já mirei fuzil na cara de polícia sem piscar, já dei ordem no rádio com o peito batendo igual tambor de escola de samba. Já vi parceiro tombar na minha frente, já enterrei irmão com o coração frio... mas nenhuma dessas fita me preparou pro bagulho que foi ver meu pivete me olhando desse jeito. Fiquei travado. Nem o ar entrava direito. Perna bamba, garganta seca. Pela primeira vez em anos, eu não era o Sub temido da Mangueira, não era o Espoleta que geral respeitava ou temia. Eu era só o Eduardo. Um homem cara a cara com o filho que nunca teve peitø pra procurar. — Mamãe... — ele falou baixinho, quase num sussurro. — É ele... é ele meu pai? Olhei pra Drika nesse momento, procurando um respiro, uma luz, qualquer polørra

